A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa lançou, nesta quarta-feira (1º/07), no Plenarinho da ALRS, a cartilha “Cozinhas Solidárias: acolhimento, dignidade e transformação social”. A publicação foi elaborada em parceria com a servidora pública da área da segurança Sandra Marques e busca registrar a história, fortalecer a rede de cozinhas solidárias e orientar gestores, entidades e comunidades sobre a importância dessas iniciativas no combate à fome e na promoção da cidadania.
Ao todo, foram impressos 2 mil exemplares, que serão distribuídos gratuitamente em todo o Estado. Ao apresentar a cartilha, Sandra Marques explicou que a proposta nasceu da necessidade de dar visibilidade às pessoas que mantêm as cozinhas solidárias em funcionamento diariamente. “Sugeri que pudéssemos contar a história dessas mulheres e homens, dessas cozinhas. Abrem mão da renda, das aposentadorias muitas vezes, porque o gás não chega como deveria nas cozinhas. Não é só busca por alimentos. É um acolhimento que transforma a sociedade”, afirmou. Sandra ressaltou que as cozinhas solidárias vão muito além da oferta de refeições.

Segundo ela, são espaços que promovem formação, fortalecem vínculos comunitários e ajudam pessoas em situação de vulnerabilidade a reconstruírem suas trajetórias. Também destacou que grande parte desse trabalho é sustentada por voluntários que dedicam tempo e recursos próprios para manter as cozinhas em funcionamento. Durante o lançamento, o presidente da CCDH, deputado Adão Pretto Filho, ressaltou o papel fundamental das cozinhas solidárias no enfrentamento da insegurança alimentar. Segundo o parlamentar, essas iniciativas tiveram participação decisiva para que o Brasil deixasse novamente o Mapa da Fome.
“Há quatro anos, o país convivia com a triste realidade das filas do osso. Hoje esse cenário começou a mudar. As cozinhas solidárias salvaram vidas e garantiram alimento a quem mais precisava. Ninguém consegue procurar emprego ou participar de uma entrevista de barriga vazia, preocupado porque os filhos não têm o que comer. Combater a fome é também criar condições para que as pessoas reconstruam suas vidas”, afirmou. Autor da lei que instituiu o Dia Estadual das Cozinhas Solidárias, celebrado em 3 de maio no Rio Grande do Sul, Adão lembrou que o reconhecimento às cozinhas precisa se transformar em políticas públicas permanentes.
Na avaliação de Laura Sito, as cozinhas solidárias têm papel fundamental no combate à fome e no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social. “A cozinha solidária é um espaço de formação social, de organização do território, de conscientização sobre o processo da segurança alimentar, de compreensão sobre as políticas públicas que nós temos”, afirmou. A deputada destacou as políticas públicas implementadas no governo Lula para retirar o país, pela segunda vez, do Mapa da Fome, após quatro anos de governo da extrema direita.

“Sabemos que sair da fome é um desafio muito mais complexo do que comer três vezes ao dia, ainda que esse tenha sido o grande desafio colocado pelo presidente Lula ao povo brasileiro. A gente sabe que a segurança alimentar e nutricional é um desafio muito maior do que as três refeições”, observou. Ela reforçou a necessidade de avançar a discussão sobre a remuneração das pessoas que realizam esse trabalho e estimular políticas públicas que garantam a segurança alimentar. “É um serviço fundamental e que deveria ser fornecido pelo Estado brasileiro”, salientou.
Laura Sito afirmou que muitas cozinhas solidárias surgem da mobilização espontânea da população. “Em muitos casos, as pessoas transformam a própria casa em uma cozinha solidária para acolher quem está passando fome. É um gesto de solidariedade que merece reconhecimento e apoio do Estado”, destacou. O vereador de Novo Hamburgo, Enio Brizola, também participou da atividade. Ele lembrou que as cozinhas solidárias oferecem muito mais do que alimentação saudável: promovem dignidade, inclusão e fortalecimento dos vínculos comunitários. Brizola também destacou que é autor da proposta que cria uma política pública permanente de apoio às cozinhas solidárias em Novo Hamburgo.
Como encaminhamento da atividade, Adão Pretto Filho defendeu que o Estado avance na construção de políticas públicas permanentes para fortalecer as cozinhas solidárias. Entre as prioridades apontadas pelo deputado estão a criação de uma política de remuneração para as pessoas que dedicam seu trabalho às cozinhas e a implantação de um Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) estadual. Segundo ele, a medida permitiria que alimentos produzidos pela agricultura familiar fossem adquiridos pelo Estado e destinados às cozinhas solidárias, fortalecendo simultaneamente o combate à fome, a geração de renda e a produção de alimentos no RS.
Texto: Guilherme Zanini
Foto: Charles Scholl

