quinta-feira, 05 março

 

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Pepe Vargas, acompanhou moradores da localidade de Águas Claras, em Viamão, na entrega de um documento ao presidente do Ministério Público de Contas do Estado (MPC), Ângelo Borghetti, manifestando-se contra a perfuração de poços artesianos pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan)/Aegea.
O documento solicita transparência, respeito ambiental e compromisso com a população local. A reunião também contou com a presença dos deputados Adão Pretto (PT) e Stela Farias (PT).
Segundo o texto, um estudo de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que, em curto prazo, a medida pode gerar impactos ambientais como prejuízos à agricultura e à pecuária, secagem de açudes e poços, erosão do solo e danos à flora e à fauna.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores de Águas Claras, Omar Batista Bandeira de Fraga, a comunidade teme pela preservação do solo e dos lençois freáticos, que garantem não apenas o abastecimento de água, mas também a produção agrícola e pecuária local. “São ao menos 26 poços sendo perfurados, com instalação de canos de grande porte. Nosso movimento é pela manutenção sustentável da água na comunidade. Viemos demonstrar nossa preocupação”, declarou.
A estimativa é que sejam retirados entre 550 e 900 litros de água por segundo do subsolo, o equivalente a 47 a 77 milhões de litros por dia. “É um volume muito superior ao consumo de água da comunidade”, ressaltou Omar.
Pepe Vargas afirmou ter recebido denúncias sobre a perfuração de lençois freáticos em diversos locais, apontando a prática como estratégia para aumentar a lucratividade da concessionária. “Abandonam o investimento na captação de águas superficiais para reduzir custos, mantendo a lucratividade e a concessão por muitos anos, mas liquidando as reservas e deixando um passivo ambiental para a população”, alertou.

 

Texto: Silvana Gonçalves 

Foto: Lauro Alves

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