Denúncias de perseguição ideológica contra estudantes e professores após as eleições foram debatidas nesta quarta-feira (4/11) na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH), presidida pelo deputado Adão Pretto. A reunião abordou os casos do Instituto Estadual Rio Branco, em Porto Alegre, e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com manifestações em defesa da liberdade de pensamento e da gestão democrática da educação.
No Rio Branco, estudantes denunciaram a atuação da vereadora Mariana Lescano (PP), que foi à escola sob a alegação de apurar suposta doutrinação ideológica e publicou gravações nas redes sociais, expondo a imagem de estudantes sem autorização prévia. Na UFSM, o Diretório Central dos Estudantes denunciou mensagens atribuídas a integrantes de um grupo de WhatsApp com ameaças de violência contra pessoas de esquerda e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A universidade informou ter encaminhado o material à Polícia Federal e criado uma comissão de apuração.
A deputada Sofia Cavedon relatou que visitou o Rio Branco, conversou com a diretora e encaminhou ao Ministério Público Federal uma representação com vídeos e boletim de ocorrência, para integrar um procedimento já aberto sobre esses assédios. “Tanto a escola como a universidade precisam ser um lugar seguro da diferença e da democracia. A perseguição e a punição ideológica impactam a liberdade e a gestão democrática”, afirmou. A parlamentar manifestou preocupação com a autonomia das instituições diante da perspectiva de ampliação das escolas cívico-militares pelo próximo governo estadual.
O deputado Pepe Vargas valorizou a mobilização estudantil e cobrou providências da Secretaria Estadual da Educação. “A direção da escola fica sozinha, abandonada, e os estudantes ficam abandonados, e a gestão não toma providências em defesa da escola? A escola é um ambiente de mediação civilizada, democrática e de pluralidade”, declarou. Aos estudantes, acrescentou: “Fortaleçam a organização de vocês para defender os seus sonhos e os seus direitos”.
A deputada Laura Sito criticou o uso da fiscalização como instrumento de constrangimento. “Uma coisa é debater práticas, outra é filmar e publicar de maneira vexatória. Isso é patrulha ideológica e violência”, afirmou. Ao reconhecer a participação dos estudantes na comissão, reforçou: “A escola é um ambiente transformador na sociedade. Sintam-se encorajados e encorajadas a seguir lutando”.
Texto: Clarissa Pont
Foto: Charles Scholl

