Organizada pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan), a mobilização da comunidade escolar iniciou em abril, após a categoria rejeitar propostas da prefeitura, incluindo um reajuste parcelado aprovado na Câmara de Vereadores. Vice-presidente do Sinprocan, Julio César Santos informou que a entidade procurou o prefeito Airton Souza a fim de estabelecer um calendário para recuperar os 23 dias de greve dos professores.
O Sinprocan informou que os servidores grevistas tiveram mais da metade dos seus salários, uns até com 90 % dos seus salários cortados. “Alguns receberam de R$ 18,00 a R$ 50,00 num contracheque que deveria ser de no mínimo R$ 5 mil. Isso é um absurdo”, alertou. Frente a esse problema, a entidade entregou ofício à prefeitura pedindo por negociação. “Queremos a negociação dos dias parados para compensação desses dias parados por parte de todos os profissionais. A única coisa que o Executivo fez foi cortar o ponto dos servidores”, reforçou.
O vereador Gabriel Constantino (PT), que acompanhou a mobilização da categoria durante a greve deflagrada em abril, afirmou que falta de conhecimento da prefeitura sobre legislação e garantias trabalhistas. Apesar de garantir que a categoria está disposta a recuperar os dias perdidos, ele sustentou que a prefeitura não estabeleceu diálogo e cortou o ponto de pelo menos 400 profissionais de educação, cujos vencimentos de maio foram afetados. Ao mesmo tempo, Constantino disse que a prefeitura criou cargos comissionados intensificou as terceirizações na educação.

Ao receber a demanda da comunidade escolar, Leonel Radde garantiu que a comissão vai apoiar os professores e reforçar o pedido de diálogo com a prefeitura. “Faremos essa requisição e vamos expor a situação à prefeitura de Canoas, buscando mais uma vez o diálogo. Não havendo diálogo, bom, aí cada um assuma o seu desgaste e as relações que serão criadas a partir dessa postura de intransigência, que eu espero que não ocorra em relação a essa Comissão nem à Assembleia Legislativa”, observou.
Diante do impasse e da ausência de diálogo da gestão do prefeito Airton Souza, a deputada Sofia Cavedon sugeriu uma reunião na próxima semana. “A situação é dramática, a prefeitura só nos enrola”, afirmou, acrescentando que o prefeito está em férias. “É uma omissão e uma violência punir trabalhadores que no legítimo direito de greve se mobilizaram”, completou.
Foto: Kelly Demo Christ

