A Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura Familiar, presidida pelo deputado Zé Nunes, realizou nesta quinta-feira (18/06) uma reunião para discutir a ocorrência do primeiro foco de greening (HLB) confirmado no Rio Grande do Sul. O encontro reuniu representantes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), da Emater/RS-Ascar, da Embrapa, lideranças da citricultura, cooperativas, entidades representativas e produtores rurais.

O greening é considerado a mais grave doença da citricultura mundial. Causada por uma bactéria e transmitida pelo inseto psilídeo, a enfermidade não possui cura e pode levar à morte das plantas, comprometendo severamente a produção de laranjas, bergamotas e limões. Em estados como São Paulo, a doença provocou perdas expressivas e vem alterando a dinâmica da atividade citrícola.
Durante a reunião, foi apresentado o trabalho realizado pelos órgãos de defesa sanitária após a confirmação de um foco da doença em Palmitinho, no Norte do Estado. Equipes da SEAPI e do MAPA atuam no monitoramento da área, vistoria de propriedades e adoção dos protocolos previstos para contenção e erradicação do foco.
Zé Nunes, que também preside a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo, destacou que a situação exige atenção máxima e mobilização conjunta. Segundo ele, a citricultura gaúcha vive um momento de expansão, gera renda para milhares de famílias e representa uma importante alternativa econômica para diversas regiões do Estado.
Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de ampliar a fiscalização sobre a entrada de mudas e materiais vegetais vindos de outros estados, fortalecer o monitoramento do inseto transmissor, intensificar a orientação aos produtores e enfrentar um dos principais desafios apontados pelo setor: a insuficiência de mudas legalizadas produzidas no Rio Grande do Sul.
Representantes da pesquisa, da assistência técnica e dos produtores alertaram que a demanda por mudas supera a oferta estadual, levando muitos agricultores a buscar material propagativo em estados onde a doença já está presente. A situação é considerada uma das principais portas de entrada do greening.
Como encaminhamento, a Frente Parlamentar irá consolidar as contribuições apresentadas por pesquisadores, técnicos, produtores e entidades em um documento orientador com propostas de prevenção, vigilância e controle da doença. O material será construído em conjunto com o grupo de trabalho criado pela Assembleia Legislativa para acompanhar o tema e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI), à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), à Emater/RS-Ascar e ao Governo do Estado. Entre as medidas defendidas estão a intensificação da fiscalização da entrada de mudas e frutas com folhas, o fortalecimento das ações de monitoramento, contenção e erradicação do foco identificado e o incentivo à produção de borbulheiras, mudas certificadas e viveiros legalizados no Rio Grande do Sul.
Ao encerrar o debate, Zé Nunes ressaltou que o tema vem sendo acompanhado pela Assembleia Legislativa há pelo menos três anos e defendeu o fortalecimento das estruturas de defesa sanitária e fiscalização agropecuária. “Assim como o Rio Grande do Sul conseguiu construir uma resposta eficiente diante da gripe aviária, precisamos unir esforços para impedir o avanço do greening. Há anos alertamos para esse risco e é fundamental garantir condições para que os órgãos de fiscalização possam atuar de forma efetiva na proteção da citricultura gaúcha”, afirmou o parlamentar.

