A construção de uma elevada ou viaduto no acesso ao bairro Monte Bérico, em Caxias do Sul, foi a principal reivindicação apresentada por moradores durante audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (18/05), no plenário da Câmara de Vereadores. A reunião foi proposta e coordenada pelo deputado Pepe Vargas, por meio da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, em parceria com a Comissão de Constituição, Justiça e Legislação do Legislativo caxiense.
O encontro reuniu moradores, lideranças comunitárias, vereadores, representantes da Prefeitura de Caxias do Sul e da concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), responsável pelas obras de duplicação do contorno norte da RS-122.
O deputado Pepe Vargas defendeu que o governo do Estado utilize recursos do Fundo de Reconstrução para viabilizar uma obra em desnível no trecho. “O Estado tem R$ 14 bilhões no Fundo de Reconstrução. É muito simples: o Estado assume a construção dessa elevada, que é uma solução definitiva”, afirmou o parlamentar.
Pepe lamentou a ausência de representante do governo do Estado. “Fizemos o convite, como não compareceram, faremos agora a convocação do secretário de Transportes, que é um instrumento mais contundente para que possamos ouvi-los”, comunicou na abertura da audiência.
Prevista no contrato de concessão da rodovia, a obra em execução no trevo de acesso ao Monte Bérico prevê a implantação de uma rótula alongada e de uma passarela para pedestres. A comunidade, porém, protesta contra a retirada das sinaleiras instaladas no local desde 2014, após acordo judicial entre a Secretaria Municipal de Trânsito e o Daer. Segundo os moradores, a medida reduziu significativamente o número de acidentes em um trecho historicamente marcado por colisões e mortes.
Com faixas e cartazes, dezenas de moradores manifestaram preocupação com a retirada dos semáforos. Ao ocupar a tribuna, a representante da comunidade, Nádia Mendes, afirmou que os moradores não aceitam perder um mecanismo de segurança considerado essencial. “A vida de quem transita por Monte Bérico e Santa Lúcia deve ser prioridade absoluta. Buscamos respostas e clamamos por segurança e nosso direito de transitar”, declarou.
Segundo o diretor-administrativo da CSG, Ricardo Peres, o projeto atual prevê apenas a construção da rótula alongada, solução definida a partir de estudos técnicos realizados pela concessionária. Ele explicou que o modelo não comporta a permanência dos semáforos e argumentou que a estrutura prevista deverá atender a demanda pelos próximos 20 anos.
Peres reconheceu que a construção de um viaduto ou elevada seria mais segura, mas ressaltou que esse tipo de intervenção não está previsto no contrato de concessão nem nos custos atualmente vinculados à tarifa do pedágio. “É lógico que a elevada é muito mais segura. Não existe cruzamento mais seguro do que um cruzamento em desnível. Porém, isso não está no nosso contrato. O que está sendo colocado ali é o que está no preço do pedágio hoje”, explicou.
Durante a audiência, os moradores entregaram um abaixo-assinado aos deputados presentes solicitando a manutenção das sinaleiras até que uma solução definitiva seja construída. Entre os encaminhamentos definidos na reunião está o pedido de audiência com o governador do Estado e representantes do Daer para discutir alternativas ao projeto atual.
A comunidade também pretende solicitar ao Ministério Público a suspensão provisória das obras no local, para evitar a retirada imediata dos semáforos do trevo.
Texto: Silvana Gonçalves
Foto: Bruno Lemos

