quinta-feira, 30 abril

 

 

 

O deputado Zé Nunes, representando a presidência da Assembleia Legislativa e como vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Reforma Psiquiátrica, participou nesta quarta-feira (29/04), da abertura da 19ª edição do Mental Tchê, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de São Lourenço do Sul. Com o tema “Atenção psicossocial em tempos de desastres e crises climáticas”, o encontro reuniu profissionais da saúde, usuários, familiares, educadores e ativistas em uma programação marcada por debates, atividades culturais e ações voltadas à promoção da saúde mental.

Criado em 2005, durante a gestão de Zé Nunes como prefeito, o Mental Tchê consolidou-se ao longo de duas décadas como um espaço de resistência, convivência e afirmação de direitos. “O cuidado em liberdade e a luta antimanicomial são pautas permanentes do nosso mandato. O evento expressa essa trajetória construída desde a base do SUS”, destacou.

O parlamentar alertou para os riscos de retrocessos nas políticas públicas. “Estamos diante de um momento importante no Brasil. Há quem defenda o SUS com financiamento adequado e uma saúde pública universal com equidade, mas também há quem queira desconstituir esses direitos. A nossa luta é na defesa da saúde pública, da democracia e da paz”, pontuou.

Zé Nunes também criticou práticas que, segundo ele, representam a retomada de modelos ultrapassados. “Seguimos enfrentando ameaças concretas, com políticas higienistas e internações compulsórias sem perspectiva de saída. Isso fere os princípios da Reforma Psiquiátrica e os direitos humanos”, afirmou.

O deputado ainda criticou o avanço de comunidades terapêuticas sem respaldo científico. “Estamos falando de novos formatos de institucionalização, muitas vezes com práticas de asilamento e ausência de critérios técnicos. Isso não é cuidado, é violação”, ressaltou.

Nesse contexto, destacou o papel da Frente Parlamentar como instrumento de resistência. “Não somos um espaço de debate genérico. Atuamos na memória, na articulação institucional e na defesa concreta da luta antimanicomial, monitorando inclusive denúncias de violações”, disse.

Ao final, reafirmou o compromisso com a fiscalização e a garantia de direitos. “Somos militantes da luta antimanicomial e manteremos todos os canais da Assembleia abertos para garantir que as leis da Reforma Psiquiátrica sejam cumpridas, tanto no âmbito estadual quanto federal.”

A programação desta edição trouxe novidades como o “Mentalzinho”, espaço voltado às crianças para o diálogo sobre emoções de forma leve e acolhedora, além da 2ª Caminhada/Corrida do Mental Tchê, com percurso de 2 km e participação aberta à comunidade. Também integraram o evento a Tenda do Afeto Popular, rodas de conversa e a feira de economia solidária.

Texto: Jean Lazarotto –  MTB 20325 

Foto: Jorge Schneider

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