A bancada do PT criticou, durante a sessão plenária desta terça-feira (27/10), o posicionamento do governador eleito Luciano Zucco (PL) diante da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. Zucco, que havia questionado o resultado, só reconheceu a vitória de Lula, em coletiva dada depois do encerramento da sessão na Assembleia na tarde desta terça-feira (27/10).
Em nota divulgada na segunda-feira (26), o líder da bancada petista, deputado Miguel Rossetto classificou como “inaceitável e altamente preocupante” a declaração do governador eleito. Para o parlamentar, Zucco precisa decidir se está “ao lado da democracia ou se seguirá aliado ao golpismo bolsonarista”.
Da tribuna, Rossetto também criticou a fuga do país do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. “A população brasileira está assistindo de forma perplexa que aquele que prometeu não abandonar o Brasil, que disse que se dedicaria à oposição ao presidente Lula, e essas promessas duraram dois dias, fugiu”, afirmou.
O deputado questionou o compromisso de Flávio com seus eleitores e defendeu a atuação da Justiça. “Trai o Brasil, trai seus compromissos e trai seus eleitores. Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro serão encontrados pela Justiça e serão condenados pelos crimes que cometeram contra o povo brasileiro”, declarou. Rossetto encerrou sua fala celebrando a eleição de Lula com mais de 64 milhões de votos.
O deputado Halley Lino afirmou respeitar o voto democrático que elegeu Zucco, mas disse esperar que o governador eleito não embarque na “aventura fascista e lunática” de Flávio Bolsonaro. O deputado também criticou a demora de Zucco em reconhecer a vitória de Lula e afirmou que o presidente e a bancada petista estão dispostos a construir conjuntamente para que o governo do Estado possa trabalhar.
A deputada Sofia Cavedon ressaltou o protagonismo popular e a participação da juventude na campanha. “A juventude foi para a rua porque enxerga o apoio de Lula à universidade, à soberania do país, aos empregos e à valorização da nossa juventude”, afirmou.
Sofia também citou um vídeo que circula nas redes sociais no qual trabalhadoras e trabalhadores de um estabelecimento de fast-food comemoram o fim da escala 6×1. “O presidente Lula construiu as condições políticas para isso. Temos que celebrar o quanto viceja a democracia no país, porque a vontade soberana não foi decidida por fake news, mas pelo povo brasileiro, que enganou o algoritmo e conseguiu a vitória”, disse.
A deputada ainda rebateu a afirmação feita por Flávio Bolsonaro durante o último debate durante a campanha de que Lula teria abandonado o Rio Grande do Sul nas enchentes. “Isso é mentira: sabemos dos investimentos do governo federal aqui”, declarou.
Já o deputado Jeferson Fernandes alertou para ameaças de boicote por líderes da extrema direita a comércios, demissões e exclusão do convívio social contra pessoas que votaram em Lula. O parlamentar comparou a postura do presidente diante das acusações que enfrentou com a de Flávio Bolsonaro: “Quando Lula teve acusações contra si, nunca admitiu a hipótese de sair do país. Respondeu aos processos com altivez, dentro do processo democrático de direito. Flávio fugiu por ser suspeito de diversos crimes e, durante a campanha, fazia o discurso da moralidade”, afirmou Jefferson.
Ao avaliar o resultado das eleições, a deputada Laura Sito também criticou o governador eleito Luciano Zucco, que não fez uma sinalização “para sua base radicalizada”, que está perseguindo comerciantes que se posicionaram durante as eleições. “O governador deveria repudiar aqueles e aquelas que estão tentando provocar um conjunto de violências para o Estado, especialmente contra aqueles que democraticamente se posicionaram favoráveis à eleição do presidente Lula”, destacou.
O deputado Adão Pretto Filho afirmou que vem recebendo relatos de pessoas vítimas de violência por conta do seu posicionamento político. Ao destacar que a extrema direita vem adotando práticas fascistas contra comerciantes, empresários e artistas, que estão sendo perseguidos. “Estão sendo taxados em listas de boicotes. É uma prática fascista e nazista. Não iremos tolerar esta prática no Brasil e muito menos no Rio Grande do Sul”, afirmou, acrescentando que a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos está à disposição da população. Conforme o parlamentar, as pessoas lesadas devem fazer boletim de ocorrência. “É um crime à democracia”, completou.
O deputado Zé Nunes também subiu à tribuna para destacar a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa à Presidência e criticou a fuga do senador após o pleito.
Texto: Clarissa Pont e Felipe Samuel
Foto: Charles Scholl

