O deputado estadual Valdeci Oliveira teceu, nesta terça-feira (16/06), na Assembleia Legislativa, fortes críticas e cobrou um recuo ao movimento colocado em prática pelo governador Eduardo Leite que entregará perto de uma centena de escolas públicas estaduais para a gestão de empresas privadas. O leilão está previsto para ocorrer em 26/6, na Bolsa de Valores de São Paulo. “Está tratando a educação pública, a educação da sociedade, dos nossos filhos e netos como mercadoria. E isso é perigoso, é um equívoco. Não por nada estão fazendo num ambiente onde se negocia soja, milho, carne, petróleo, minérios, onde se compra e se vende ações, onde se aposta no mercado financeiro”, pontuou o parlamentar.
A manifestação de Valdeci foi feita durante reunião ordinária da Comissão de Assuntos Municipais do Parlamento gaúcho (CAM). De acordo com a proposta do governo estadual, neste primeiro momento serão 98 escolas que serão entregues a administração de grupos ou consórcios privados a um custo médio de R$ 154 mil mensais por unidade, totalizando R$ 4,5 bi. Uma dessas escolas, por exemplo, recebe atualmente R$ 7 mil por mês do estado para tentar dar conta da manutenção diária e, uma vez no ano, valores extras para pequenas reformas e melhorias. Uma das críticas que está sendo feita é que justamente até aqui não havia recursos suficientes para repassar às unidades de ensino públicas, mas que “milagrosamente” estes apareceram quando o destinatário final passou a ser o setor privado. Outras unidades, já reformadas pelo governo com recursos próprios, também serão entregues.
Valdeci lembrou ainda que a medida está sendo colocada em prática a apenas seis meses do encerramento da atual gestão, não fazendo sentido algum a não ser engessar o próximo governo aos contratos por duas décadas e meia e os milhões que serão canalizados para empresas particulares. “É uma falta de ética com quem irá substituí-lo e uma falta de respeito com a educação”, salientou Valdeci. Na sua avaliação, é por esta e outras medidas e atitudes do governador Eduardo Leite, do vice Gabriel Souza e dos partidos que apoiam o governo na Assembleia que o RS, a cada período que passa, diminui o percentual do que o RS conquistou e construiu ao longo do tempo como linha de frente da educação pública e de outras áreas. “Faltando pouco para terminar seu governo é no mínimo uma irresponsabilidade, uma falta de sensibilidade fazer um projeto desse que envolve milhões em dinheiro público, por 25 anos. E sem nenhum debate com a sociedade, sem dar ouvidos à comunidade escolar, aos pais e mães e alunos, aos professores, as cidades onde essas 98 escolas estão instaladas”, elencou.
O parlamentar ainda citou como exemplo as privatizações da CEEE e da Corsan, que seguem a mesma lógica. “Estamos hoje vendo o resultado, estamos pagando um preço altíssimo por conta disso, que por onde a gente anda só ouve que o que se privatizou, piorou. E educação pública não pode ser negócio, isso é uma afronta, é uma vergonha, um desrespeito total com as comunidades”, assegurou.
No encerramento da sua fala, além de solicitar que o governo use o bom senso, volte atrás e não privatize as escolas, Valdeci lembrou aos presentes que as comunidades escolares estão se mobilizando diariamente em todo o estado, com protestos pacíficos, caminhadas e se manifestando nas Câmaras de Vereadores sem que haja algum sinal de reversão por parte do governo. “Ao lado de entidades da sociedade civil, estamos trabalhando e fazendo as articulações e movimentações políticas necessárias, inclusive buscando alternativas jurídicas, para brecar esta verdadeira atrocidade que será cometida contra a educação pública gaúcha”, finalizou Valdeci.

