Em homenagem proposta pelo deputado Pepe Vargas, a Assembleia Legislativa concedeu a Medalha do Mérito Farroupilha à agrônoma Maria José Guazzelli. A cerimônia realizada no Salão Júlio de Castilhos, no final da tarde de quarta-feira (20/05), foi acompanhada por gestores públicos, convidados e familiares.
Maria José definiu o recebimento da medalha como resultado de um trabalho coletivo, de quem acreditou que um outro tipo de agricultura era possível há meio século, quando na faculdade definiu a que tipo de agricultura queria se dedicar. Referiu que a caminhada que a trouxe até aqui, tendo como referência o Centro Ecológico (do município de Ipê) foi construída ao lado de agricultores, colegas, movimentos sociais, entidades consumidoras. “Desde aquela época eu sabia o que queria fazer da minha vida. E em tempos tão difíceis para a humanidade, marcados por crises climáticas, econômicas, sanitárias, guerras, desigualdades sociais crescentes, eu poder me dedicar a um trabalho que busca produzir saúde, preservar a natureza e melhorar a convivência entre as pessoas é uma coisa muito gratificante para mim”, assinalou.
Registrou ainda que produzir alimentos não é só uma questão técnica ou econômica, mas também “uma escolha ética, social e política” à medida que a forma de produção interfere na qualidade da água, da terra, do ar, na preservação da biodiversidade. Defendeu a agricultura ecológica como a saída para enfrentar parte das crises atuais, gerar renda com dignidade à parte da população e dando valor a quem produz alimentos. “Também aprendi que não basta a iniciativa individual das famílias agricultoras, é preciso ter políticas públicas consistentes e permanentes, apoio à transição agroecológica, assessoria técnica, comercialização e educação”.
A homenageada também expressou preocupação com o controle das sementes e das tecnologias usadas na agricultura, que se encontram nas mãos de poucas corporações. “As sementes representam um patrimônio construído por gerações de homens e mulheres, especialmente as mulheres, ao longo de milênios da história da humanidade. Então defender a liberdade de poder guardar e compartilhar sementes, é defender a soberania e o nosso futuro”, concluiu.
O deputado Pepe Vargas saudou a todos e relatou que uma honraria, mesmo inserida no contexto de um trabalho coletivo, destaca a realização individual. “O trabalho coletivo não elimina o papel que o indivíduo cumpre na história”. Ao destacar a trajetória de Maria José no campo legislativo de proteção ao meio ambiente, destacou que é preciso avançar em legislação e políticas públicas de proteção a quem produz e preserva.
Trajetória
Defensora da agroecologia e da agricultura agroecológica, Maria José Guazzelli é pioneira na implantação da atividade no estado e no país. Tem participação direta na elaboração da Lei dos Agrotóxicos do Rio Grande do Sul (Lei 7747/82), um marco pioneiro no Brasil em termos de regulamentação contra o uso de venenos na agricultura. Em 1985, iniciou uma experiência prática de demonstração da viabilidade técnica e econômica do modelo de cultivo, então chamado de “agricultura alternativa”, focada na autossuficiência dos pequenos produtores em Vacaria (hoje município de Ipê). É co-fundadora do Centro Ecológico que completou 40 anos em 2025. Primeira entidade privada sem fins lucrativos a prestar assessoria a produtores rurais exclusivamente com foco em agricultura ecológica, o Centro acompanha diretamente mais de 80 grupos de agricultores e suas famílias.
Texto: Vania Lain
* Com informações da Agência ALRS

