A Frente Parlamentar em Defesa do Cais Mauá Público realizou reunião nesta terça-feira para debater os próximos passos após a decisão do governo do Estado de revogar o leilão do espaço. O encontro, coordenado pela deputada estadual Sofia Cavedon, reuniu representantes de entidades, movimentos sociais e instituições comprometidas com a defesa de um projeto público, cultural e sustentável para o Cais Mauá.
Entre os principais encaminhamentos da reunião está a construção de uma nova ofensiva política em defesa de um Cais Cultural, público e integrado à cidade, aproveitando o novo cenário aberto com o fim do leilão promovido pelo governo estadual.
A Frente também definiu que buscará diálogo com o BNDES, por meio de Tereza Campello, da direção da área de projetos socioambientais do banco, para discutir possibilidades de revitalização sustentável do espaço, com geração de renda, preservação do patrimônio histórico e acesso público.
Outro encaminhamento aprovado foi o envolvimento da UFSCPA nas discussões sobre o futuro do cais. A universidade, que busca novas áreas para expansão, poderá ser parceira em um projeto de ocupação pública do espaço, fortalecendo atividades de ensino, pesquisa, cultura e inovação no centro da capital.
A situação de abandono e deterioração do patrimônio histórico do Cais Mauá também será levada ao IPHAN. A Frente Parlamentar pretende solicitar apuração sobre as condições do espaço e articular uma visita de inspeção envolvendo o instituto e o Ministério Público, com o objetivo de avaliar os danos físicos e responsabilidades pela degradação da área.
Além disso, o grupo irá estudar a situação jurídica da Lei do Cais, aprovada por Sofia Cavedon ainda na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, para verificar se a legislação segue em vigor após a aprovação do regime especial urbanístico para o Centro Histórico pela gestão municipal.
Para Sofia, a revogação do leilão abre uma nova oportunidade para recolocar o debate sobre o futuro do Cais Mauá a partir do interesse público.
“O Cais Mauá precisa voltar a ser pensado para as pessoas, para a cultura, para a memória e para o desenvolvimento sustentável da cidade. Porto Alegre não pode aceitar que um patrimônio histórico siga abandonado ou seja tratado apenas como oportunidade de negócio privado”, afirmou a deputada.
Texto e foto: Lua Kliar

