Convidado para falar na CPI dos Pedágios, o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, alertou nesta quarta-feira (13/05) para os impactos que o projeto de concessão do Bloco 1 (Região Metropolitana, Litoral e Serra) de rodovias pode causar sobre estudantes presenciais da instituição e no ambiente econômico regional. Ao apresentar estudo produzido pela instituição, ele destacou que cerca de 1,4 mil alunos de 12 municípios próximos à universidade seriam afetados pelos custos adicionais com pedágios nas rodovias RS-239 e RS-115.
Segundo o estudo, estudantes que frequentam aulas presenciais três vezes por semana poderiam gastar até R$ 62 apenas com tarifas. Da Rosa afirmou que o aumento dos custos pode desestimular o ensino presencial justamente em um momento de retomada das matrículas, após mudanças no marco regulatório da educação à distância. Conforme o reitor, a Feevale registrou crescimento de 35% no ingresso de estudantes presenciais neste ano, cenário que, segundo ele, pode ser comprometido pelo impacto financeiro dos novos pedágios sobre alunos e famílias já endividadas.
O reitor informou que um aluno que estuda três vezes por semana paga atualmente R$ 19,50. Com a substituição de dois postos de pedágio por oito pontos de cobrança (pórticos) nas rotas em direção a Novo Hamburgo (Rodovias RS-115, RS-235 e RS-239), conforme proposta do governo de Eduardo Leite e Gabriel Souza, vai passar a pagar R$ 100 por semana. Ou seja, o ticket médio de um estudante da Feevale será de R$ 400, 00 por mês, um aumento de 410%. “Isso nos preocupa porque qualquer mudança impacta no cenário. Nos preocupa porque impacta nos estudantes e nos ambientes de negócios”, afirmou o reitor, manifestando preocupação com o futuro dos alunos e da própria instituição de ensino.
O deputado e relator da CPI dos Pedágios, Miguel Rossetto, garantiu que o papel da CPI é reforçar a apuração sobre os impactos nas regiões, a ausência de obras e os custos dos pedágios. Ele defendeu a necessidade de o governo apresentar estudos mais aprofundados sobre os impactos sociais, econômicos e territoriais provocados pela ampliação dos pedágios no Estado. Segundo ele, apesar dos debates realizados pela comissão e dos depoimentos já colhidos, ainda falta uma avaliação consistente sobre os efeitos do aumento do custo logístico no desenvolvimento regional.
Rossetto afirmou que experiências anteriores demonstram que tarifas elevadas podem funcionar como “verdadeiros muros” que desintegrando regiões, desestimulando investimentos e dificultando a mobilidade, quando o objetivo deveria ser justamente ampliar a integração regional e melhorar a qualidade da circulação entre os municípios. “Queremos pensar em maior mobilidade e maior integração entre as regiões”, afirmou. A deputada Sofia Cavedon também criticou a proposta de aumento abusivo das tarifas.
Texto: Claiton Stumpf e Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

