Diante da crise econômica mundial causada pela guerra no Oriente Médio provocada pelos Estados Unidos, o Brasil, sob a liderança do presidente Lula, se manteve altivo defendendo a soberania nacional apesar dos ataques norte-americanos.
Índices positivos como o controle da inflação, o aumento do poder de compra, a redução do desemprego, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, entre outras medidas implementadas pelo governo Lula ainda não se refletem nas pesquisas sobre a satisfação de grande parte da sociedade. A resposta para esta incoerência está diretamente relacionada ao endividamento da população brasileira no último período.
Quando analisamos o superendividamento no Brasil, o número um da lista de motivos não é o crédito rotativo dos cartões de crédito, nem os empréstimos consignados. Disparado na frente estão as dívidas com BETs. Segundo pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), a fragilidade financeira do apostador recorrente gera um custo social anual de R$ 38,8 bilhões no Brasil. Cerca de 80% deste valor estão ligados a problemas de saúde, como perda de qualidade de vida ou tratamentos relacionados à depressão, além de mortes por suicídio.
Pesquisas indicam que os brasileiros passaram de R$ 4 bilhões em 2023, para R$ 29 bilhões em 2025, por mês, com despesas em apostas por BETs.
Entre os apostadores contumazes, a maioria é jovem, 82%, está nas faixas entre 16 e 29 anos ou entre 30 e 44 anos. Neste recorte, 73% são homens e pertencem a classe C.
Temos que observar a nomenclatura. Apenas a propaganda, que paga milhões em cachê para influenciadores e atletas usa o termo BET. Na “boca do povo”, se fala jogo e jogo remete a esporte, diversão, brincadeira.
A Confederação Nacional do Comércio trouxe outro dado alarmante. De 2023 a 2025, as apostas tiraram R$ 143,8 bilhões do comércio, o que representa praticamente a venda de dois natais somados. Portanto, este recurso, ao invés de ser investido no comércio, foi para as BETs.
É urgente ter uma política drástica contra as BETs no Brasil. Elas atuaram até 2024 sem nenhum tipo de regulamentação, sem sequer pagar impostos, a regulamentação mínima foi aprovada com muito custo, mas ainda é pouco.
A principal diferença entre as BETs e outros chamados “jogos de azar” é que o formato digital e o fácil acesso dificultam a fiscalização e o controle mínimo sobre as regras. Ao programar a plataforma é muito fácil manipular resultados e iludir os usuários com a possibilidade do acesso ao “dinheiro fácil”.
Felizmente, o governo federal está atento à situação do superendividamento e acaba de lançar a segunda etapa do Programa Desenrola, que oferece facilidades para quitar dívidas.
O Desenrola 2.0 está focado em quatro segmentos: o Desenrola Famílias, relacionado às dívidas atrasadas, ao uso do FGTS, e aos consignados do INSS; o Desenrola FIES, específico para o financiamento estudantil, o Desenrola Empresas, para empreendedores, principalmente MEIs, e o Desenrola Rural, para agricultores familiares e assentados. Nesta fase, uma das exigências é que a pessoa beneficiada fica proibida de apostar em BETs por um ano.
No jogo da dívida, quem paga os custos exorbitantes de espaços publicitários e “garotos-propaganda” pode ser um amigo, um parente ou até mesmo você.
* Deputado estadual do PT/RS
Artigo publicado originalmente em 5 de maio de 2026 no site Sul 21
Foto: Charles Scholl

