A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS debateu, em Assuntos Gerais proposto pela deputada Sofia Cavedon, a greve da educação municipal de Canoas e as principais demandas da categoria. Professoras, professores, funcionárias, funcionários e a comunidade escolar seguem mobilizados em defesa de valorização, respeito e melhores condições nas escolas.
A paralisação teve início em 22 de abril e já ultrapassa duas semanas. A greve foi mantida após a rejeição, em assembleia, das propostas apresentadas pela Prefeitura. O movimento impacta cerca de 30 mil estudantes da rede municipal.
A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan). A presidenta da entidade, Simone Goulart, destacou que “a categoria está cansada de promessas não cumpridas” e cobra ações concretas do Executivo municipal. Entre as principais reivindicações estão “o pagamento da reposição salarial não concedida em janeiro, o cumprimento do piso nacional do magistério, o chamamento de aprovados em concurso público para completar o quadro de profissionais e a contratação de monitores para inclusão”.
Também fazem parte da pauta a revisão dos planos de carreira, aumento real de salários e melhorias urgentes na infraestrutura das escolas, especialmente nas redes elétrica e hidráulica, ainda afetadas pelos danos causados pelas enchentes. A valorização da educação como um todo é apontada como eixo central do movimento.
A dirigente Katieli de Oliveira Félix reforçou a necessidade de manter a mobilização, afirmando que “a decisão pela continuidade da greve ocorre diante da ausência de garantias concretas para o atendimento das demandas”. Segundo ela, as pautas vêm sendo apresentadas à Prefeitura desde o ano passado, sem avanços significativos ou diálogo efetivo.

Durante a reunião, também foram apresentados dados sobre a situação financeira do município. Sofia informou que está em andamento uma auditoria relacionada ao CanoasPrev, sistema de previdência municipal. Um estudo da assessoria econômica da Bancada do PT indica que o município arrecadou mais do que gastou em 2025, contrariando o argumento de falta de recursos. A receita foi de R$ 2,36 bilhões, contra R$ 2,08 bilhões de despesas. Ainda segundo a análise, com base em dados do Tribunal de Contas do Estado, o gasto com pessoal em Canoas está abaixo do limite fiscal, o que, segundo a deputada, garante margem para investimentos necessários na educação.
Diante desse cenário, a deputada propôs como encaminhamento o envio de um ofício ao prefeito de Canoas, com o estudo econômico em anexo, como forma de subsidiar o diálogo e reforçar a necessidade de negociação com a categoria.
O vereador Gabriel Constantino, de Canoas, também participou dos Assuntos Gerais e acompanhou o debate, reforçando a importância de uma solução negociada que atenda às demandas da comunidade escolar.
Sofia destacou que “mesmo diante do impasse, a categoria segue de cabeça erguida. Esta mobilização é uma luta coletiva, que envolve não apenas as e os trabalhadores da educação, mas também crianças, adolescentes, famílias e estudantes atípicos, que dependem de uma rede estruturada e de profissionais valorizados”.
Texto: Clarissa Pont
Foto: Kelly Demo Christ

