O deputado Pepe Vargas defendeu medidas para ampliar a adesão e fortalecer o programa Imuniza Escola, iniciativa criada em 2024 com foco no aumento da cobertura vacinal entre crianças e adolescentes. Durante audiência pública realizada nesta terça-feira (5/05), o parlamentar destacou que o programa surgiu como resposta à queda preocupante nos índices de vacinação nos últimos anos, especialmente em relação ao HPV — vírus responsável por diversos tipos de câncer, incluindo o câncer de colo do útero. A proposta também contempla a ampliação da imunização contra outras doenças, como meningite, além do monitoramento de vacinas previstas no calendário nacional.
O encontro, proposto por Pepe Vargas, contou com a participação da Associação de prevenção ao Cãncer de Colo de Útero (Apcolu). O deputado destacou que a redução da cobertura vacinal foi influenciada por diversos fatores, como a disseminação de desinformação nas redes sociais, o crescimento de movimentos antivacina e uma falsa sensação de segurança diante da diminuição de doenças historicamente graves, como sarampo e poliomielite. Apesar desse cenário, ele ressaltou que os índices começaram a reagir recentemente, impulsionados por campanhas públicas e maior mobilização institucional. No entanto, alertou que muitas vacinas permanecem abaixo do nível ideal de cobertura.
“No caso da vacina do HPV, é uma doença que só no ano passado teve quase 1.500 casos registrados no Rio Grande do Sul. E tivemos 400 e poucos óbitos. E existe vacina para vacinar público de 9 a 14 anos, preferencialmente. E esse programa Imuniza Escola foi desenvolvido para enfrentar essa questão”, afirmou, lembrando que 444 municípios já aderiram à iniciativa. “Faltam 53 (municípios)”, acrescentou. O deputado propôs que a comissão encaminhe ofícios aos municípios que ainda não aderiram. E também sugeriu uma busca ativa junto aos municípios que já aderiram ao programa, mas ainda não realizaram o cadastro necessário para operacionalizar as ações.
Na avaliação da presidente da Apcolu, Denise Müller, uma estratégia simples e já disponível no sistema público de saúde pode mudar drasticamente o cenário do câncer de colo do útero no Rio Grande do Sul. Ela defende a ampliação da vacinação contra o HPV como principal ferramenta para erradicar a doença. Segundo a especialista, o programa Imuniza Escola surge como uma alternativa eficaz ao integrar saúde e educação. A proposta é aproveitar o ambiente escolar para garantir a imunização de crianças e adolescentes de até 14 anos — faixa etária contemplada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A escola é o local onde essas crianças já estão. Existe, inclusive, legislação que prevê a apresentação da carteira de vacinação atualizada. Isso torna a estratégia lógica e viável”, explicou. Dados da Secretaria Estadual da Saúde, referentes ao período entre 2019 e 2024, reforçam a urgência da medida. Nesse intervalo, 9.605 mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo de útero no estado. Destas, 2.517 morreram em decorrência da doença.
De acordo com Denise Muller, a vacinação contra o HPV pode reduzir em até 80% o risco de desenvolvimento do câncer. Com base nesse índice, seria possível evitar que mais de 6 mil mulheres desenvolvessem a doença e cerca de 2 mil mortes poderiam ter sido prevenidas no período analisado. “Estamos falando de uma vacina cuja eficácia é comprovada mundialmente. Países como a Austrália praticamente erradicaram o câncer de colo do útero com altas taxas de vacinação”, destacou.
A médica chama atenção para a estabilidade dos números ao longo dos anos. Mesmo após a pandemia, quando se esperava aumento nos diagnósticos devido à redução de exames preventivos, os índices se mantiveram constantes, com registros anuais entre 1,4 mil e 1,8 mil casos.
Texto: Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

