O desafios e gargalos do transporte rodoviário de cargas no Rio Grande do Sul foram debatidos na audiência pública promovida pela Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, na noite de quinta-feira (16/04). O encontro, proposto pelo deputado Jeferson Fernandes, contou com a participação do colega de bancada Halley Lino e de lideranças sindicais dos caminhoneiros de diversas regiões do estado.
Os parlamentares petistas passarão a colher assinaturas para a instalação de uma Frente Parlamentar em Defesa dos Caminhoneiros Gaúchos. “Dessa forma, vamos garantir que os problemas enfrentados pela categoria integrem de forma permanente a agenda de debates do parlamento gaúcho”, apontou o proponente Jeferson.
Uma das prioridades do novo colegiado, segundo Fernandes, deverá ser organizar uma manifestação oficial do parlamento gaúcho à tramitação no Congresso Nacional da Medida Provisória 1343/2026, conhecida como MP do Piso do Frete, que estabelece regras mais rigorosas para o cumprimento do piso mínimo de frete no transporte rodoviário de cargas no Brasil. No âmbito estadual, a frente deverá cobrar do governo estudos para a liberação de rodovias para caminhões com pesos maiores e liberação de licenças especiais de trânsito. Também deverá discutir a criação da Casa do Rodoviário para abrigar caminhoneiros e familiares que necessitem fazer tratamento de saúde em Porto Alegre.

Infraestrutura
Principal modal logístico do Brasil, o transporte rodoviário movimenta quase 70% de todas as cargas nacionais enfrentando a precariedade das estradas, falta segurança e alta de insumos. A percepção das lideranças dos caminhoneiros é de que qualidade das rodovias não acompanha o ritmo de crescimento da economia. “As cargas aumentam de tamanho, os veículos ficam mais pesados, o movimento fica mais intenso, mas as estradas não melhoram. Muitas não contam sequer com locais para pernoites”, apontou o presidente do Sindicato de Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Três Cachoeiras, Jair Marques.
O presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Cargas de Ijuí, Carlos Alberto Dahmer, lamentou a ausência de representantes do governo do estado na audiência. “Mesmo que grande parte de nossa pauta tenha caráter nacional, há vários pontos que têm relação como estado ou são de responsabilidade das duas esferas, como os pedágios”, frisou.
Em sua avaliação, o modelo adotado não garante uma tarifa justa e perpetua a relação de desequilíbrio entre concessionárias e usuários. Dahmer afirmou ainda que a categoria deve ficar atenta ao cumprimento da resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), segundo a qual as novas concessões são obrigadas a destinar pontos de paradas. “Precisamos assegurar que nestes locais haja segurança e atendimento básico de saúde”, defendeu.
Também se manifestaram o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Rio Grande, Dieck Sena; o presidente do SindMercosul, Plínico Fontella; e o presidente do Sindilíquida, Raul Stabel. Os dirigentes sindicais apresentaram os principais problemas relativos à infraestrutura rodoviária em suas respectivas regiões de atuação.
No dia 8 de maio, as lideranças deverão dar continuidade ao debate em Santa Rosa, durante a reunião do Parlamento do Mercosul (PARLASUL), órgão legislativo do bloco regional, integrado por parlamentares da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Texto: Olga Arnt – MTE 14.323
Foto: Charles Scholl

