quinta-feira, 23 abril

Sapiranga, na Região do Vale do Sinos, convive desde março com a má qualidade da água fornecida pela Corsan/Aegea. Em reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, proposta pela deputada Laura Sito, nesta quarta-feira (15/04), moradoras relataram que, a população enfrenta problemas como cheiro forte e gosto desagradável, além da cobrança de tarifas abusivas. Diante das denúncias, a comissão vai cobrar explicações da Aegea e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs).

Ex-vereadora do município, Rita Della Giustina afirmou que os problemas no fornecimento, que tiveram início em 2 de março, persistem quase 45 dias após os primeiros sinais de alteração no gosto e na cor da água. “A gente fez a denúncia naquele momento e a água foi piorando a cada dia. Ela se torna clara em alguns dias, mas o cheiro e o gosto são horríveis”, afirmou. Por conta da péssima qualidade da água, muitas pessoas já passaram mal. “A UPA está lotada, e isso não é só na nossa cidade”, sustentou. Segundo Rita, os problemas se agravaram após a privatização.

Conforme Rita, devido aos relatos sobre a qualidade da água, a população organizou um abaixo-assinado com mais de 30 cidades, que relatam os mesmos problemas. Além de acionar o Ministério Público estadual, Rita pediu que a comissão reforce a demanda da população pela suspensão das cobranças de água neste período. “É inaceitável que a população tenha que pagar uma água que não está conseguindo consumir, utilizar nem para o banho, muito menos para lavar as suas roupas. É uma água amarela que sai na torneira, uma água preta ou uma água podre”, frisou.

Patrícia Silva Gross, que também reside em Sapiranga, salientou que a água parece suja e apresenta gosto ruim. “O meu marido passou mal. E um vizinho chegou a ir para a UPA”, afirmou. Frente a esses problemas, ela garantiu que muita gente passou a comprar água para beber e cozinhar, com custos que podem ultrapassar R$ 350,00. Precisamos beber água. Basicamente é uma questão de sobrevivência e diginidade”, ressaltou. “A conta vem bem cara para agente mesmo sem usar tanto. Tem uma comadre que pagou quase R$ 300,00, mesmo comprando água no super, acrescentou.

A deputada afirmou que diversas regiões do Estado vêm relatando cobranças indevidas da Aegea. “Esses dias eu vi uma conta de água de R$ 17 mil. E isso não é só sobre a água, a gente está falando aqui da água, da energia. Eu fui vítima da energia, pois chegou na minha casa, e eu não paro em casa, como todo deputado desta casa Legislativa, uma conta de energia de R$ 2.875,00”, assinalou. Na avaliação de Laura Sito, o Estado vive uma desregulamentação do setor. O presidente do colegiado, Adão Pretto Filho, também sugeriu informar à Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa.

Texto: Felipe Samuel
Foto: Charles Scholl

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