A epidemia de feminicídios no Rio Grande do Sul foi discutida nesta quinta-feira (09/04) da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado. Por proposição do presidente Leonel Radde, a comissão ouviu a advogada criminalista Andriele Irene Dall Agnol, que denunciou os casos de violência contra mulheres na Fronteira Oeste e a necessidade da criação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Alegrete.
Sensibilizado com a demada da população, o deputado garantiu que a comissão vai encaminhar ofício ao governo do Estado e cobrar providências para viabilizar a instalação de uma DEAM no município. “É uma demanda muito preocupante em todo o Rio Grande do Sul, infelizmente não é uma exclusividade do Alegrete e da Fronteira Oeste, mas a gente sabe que aí a situação é realmente mais aguda, mais grave”, avaliou.
Ao abordar a realidade enfrentada pelas mulheres na Fronteira Oeste, especialmente em Alegrete, Andriele defendeu políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Ela afirmou que o município não dispõe de serviço estruturado, como delegacia especializada, centro de referências ou casas de abrigo. “A Fronteira Oeste é um verdadeiro deserto de políticas públicas voltadas à proteção da mulher”, pontuou, acrescentando que em 2025, Alegrete registrou 339 crimes contra a mulher.
Conforme Andriele, na Fronteira Oeste, os números são ainda mais preocupantes, uma vez que registrou 2,5 mil ocorrências, sendo 1.640 de ameaça, 890 de lesão corporal, 65 de estupro, 5 feminicídios consumados, 14 tentativas de feminicídio. Ela mencionou ainda relatório final da Comissão Externa dos Casos de Feminicídio no Rio Grande do Sul, produzido pela Câmara dos Deputados, apresentado em janeiro de 2026, que reconhece a ausência estrutural da região.
“A eventual implementação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Alegrete não beneficiaria somente o nosso município, mas também a toda a região”, sustentou. Andriele ressaltou que, muitas vezes, a mulher que sofre violência não tem para onde ir ou buscar suporte. “Falo como alguém que vê isso todos os dias na prática, que não traz os dados maquiados”, completou.
Texto: Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

