Sem quórum para a Ordem do Dia, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos promoveu a oitiva nesta quarta-feira (25/03), durante a reunião ordinária, de duas alunas do Instituto Federal Sul, IFSul-Pelotas, a respeito de exposição de alunas menores de idade em “listas” produzidas por colegas, também menores de idade, cujo conteúdo circulou em aplicativos de conversa e é depreciativo da figura feminina, sexista e ameaçador, classificando “as estupráveis” no ambiente escolar. As duas relataram de forma online que alguns professores da instituição também teriam acessado essas listas, alguns com comentários de aprovação.
A deputada referiu as providências adotadas pela reitoria do IFSul-Pelotas de afastar os oito jovens envolvidos na produção das referidas “listas”, mas entende que o assunto é grave e, por isso, na próxima segunda-feira (30) o presidente da CCDH, deputado Adão Pretto Filho (PT), estará em Pelotas e deverá tratar do assunto com a reitoria da instituição. No mesmo dia, por solicitação de Adão Pretto, ocorrerá na cidade a audiência pública para tratar da morte de agricultor em ação comandada por agentes da Brigada Militar. Genro entende que a eventual participação de professores deve ser apurada.
Por recomendação da deputada Laura Sito (PT), também o Ministério da Educação será comunicado a respeito do ocorrido. A deputada lembrou que ontem (24) foi aprovado pelo Senado Federal lei que torna a misoginia crime equiparado ao crime de racismo, e defendeu o combate à cultura da violência contra as mulheres, em especial no ambiente escolar.
Em depoimento online, as duas estudantes relataram detalhes sobre as “listas dentro do Instituto que classificam as meninas como estupráveis”, sendo a maioria delas menores de idade. Evidenciaram que esse episódio não é recente e que desde 2017, no Mural do Oprimido, alunas fizeram denúncias de assédio, mas tudo foi “abafado” pela instituição. Disseram, ainda, que “alguns professores” dão apoio aos alunos, normalizando e levando os comentários na brincadeira. Afirmaram que as alunas estão com medo de frequentar o campus e com vergonha de sair de casa, “não há proteção dentro da instituição”. Os professores, em sua maioria, são do curso de Eletromecânica, com predominância de alunos masculinos. Elas têm provas documentais tanto das referências produzidas pelos alunos quanto comentários replicados pelos professores. Em anos anteriores, professor de educação física orientava para práticas esportivas que evidenciavam posições sexistas, e teve o contrato de trabalho suspenso, além de outras situações constrangedoras. Elas pediram apoio da CCDH e punição aos envolvidos.
Texto: Francis Maia/Agência ALRS
Foto: Kelly Demo Christ

