sexta-feira, 24 abril

 

No dia Estadual de Memória às Vítimas da Covid-19, celebrado nesta terça-feira, 24 de março, foi aberta a exposição Capas da Memória, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A iniciativa, proposta pelo deputado Pepe Vargas, destaca o direito à memória como um pilar essencial da cidadania e presta homenagem ao papel da imprensa durante a pandemia. A mostra está localizada no espaço de Exposições Deputado Carlos Santos, no térreo do Palácio Farroupilha.
Autor do projeto que deu origem à Lei nº 16.131/2024, instituindo a data no calendário oficial do Estado, Pepe Vargas ressaltou durante a abertura que preservar a memória é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. Segundo ele, o esquecimento abre espaço para a repetição de erros e tragédias. “O direito à memória, à verdade e à justiça são pilares de uma sociedade democrática. Sem lembrar o que aconteceu, não conseguimos projetar o futuro”, afirmou.
O parlamentar também enfatizou a importância da imprensa no enfrentamento à pandemia, especialmente diante do negacionismo e da desinformação. Ele destacou a criação de um consórcio independente de veículos de comunicação no Brasil, que garantiu à população acesso a dados confiáveis sobre a Covid-19. “Foi uma iniciativa inédita, fundamental para combater as fake news e informar corretamente a sociedade”, pontuou.
A escolha do dia 24 de março como marco estadual remete à primeira morte por Covid-19 registrada no estado, em 2020. Para Pepe, a data simboliza não apenas o luto, mas a necessidade permanente de políticas públicas voltadas às vítimas e seus familiares. Ele chamou atenção para lacunas ainda existentes, como a ausência de políticas específicas para órfãos da pandemia e a falta de protocolos claros para atendimento de pessoas com Covid longa.
A exposição reúne dez capas de jornais que retratam momentos marcantes da crise sanitária, funcionando como um alerta coletivo para que os impactos da pandemia não sejam esquecidos. “Queremos homenagear os profissionais da imprensa e todos aqueles que estiveram na linha de frente, como trabalhadores da saúde e de serviços essenciais”, afirmou o deputado.
Representando o Conselho Regional de Medicina do RS, a conselheira e segunda secretária Dra. Laís Del Pino Leboutte reforçou a importância da vacinação e do cumprimento de protocolos sanitários. Ela alertou que a saúde coletiva depende de ações responsáveis e contínuas.
Para a presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (AVICO), Paola a iniciativa da exposiçao está diretamente ligada à defesa dos direitos humanos. “Para nós, enquanto vítimas e familiares da Covid-19, os pilares da memória, da verdade e da justiça são fundamentais”, disse.
Segundo Falceta, o Brasil ainda carece de políticas mais amplas sobre o tema. “Precisamos manter viva a memória do que aconteceu ao longo desses anos. Essa é uma iniciativa clara e ainda única como política estadual. Existem poucas ações municipais e ainda não há um dia nacional instituído”, pontuou.
A representante destacou ainda o papel da mobilização coletiva nas conquistas alcançadas até agora. “Chegamos até aqui pelo apoio do nosso coletivo e da Frente Parlamentar, coorderanda pelo deputado Pepe Vargas, criada em 2022. Muitas das poucas conquistas vieram dessa luta organizada”, completou.
Já a coordenadora da Associação Vida e Justiça, Rosângela Dornelles, apontou a necessidade de manter viva a memória da pandemia como forma de valorizar a vida e evitar novos retrocessos. Segundo Rosângela , a atuação conjunta de entidades e da sociedade civil foi decisiva durante o período mais crítico da crise sanitária. Ela fez ainda um alerta sobre a necessidade das população se vacinar. “O inverno está chegando agora, não sei o porquê insistimos em falar que as vacinas devem ser feitas no início do inverno e não no período anterior”, questionou.
O presidente da Associação Riograndense de Imprensa, José Nunes, também sustentou o papel histórico da imprensa e a importância de registrar os acontecimentos para que não sejam esquecidos. “A preservação da memória coletiva é essencial para impedir que erros do passado se repitam”, reforçou. Ele recordou os profissionais que perderam a vida durante a pandemia.
A mostra Capas da Memória, que integra as ações do Dia Estadual de Memória às Vítimas da Covid-19, pode ser visitada das 8h30 às 18h.

 

Texto: Silvana Gonçalves

Foto: Charles Scholl

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