quinta-feira, 23 abril

A Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da Assembleia Legislativa ouviu, nesta quinta-feira (23/04), o relato da produtora cultural Amanda Haupenthal, vítima de agressão durante um evento de música realizado no fim de março, em Porto Alegre. A reunião foi proposta pelo deputado Leonel Radde, que destacou a gravidade do caso e anunciou que a comissão irá encaminhar pedidos de informação à Secretaria da Segurança Pública e ao Ministério Público do Estado.

Segundo Amanda, que atua há 15 anos na produção de eventos, a agressão ocorreu no dia 29 de março, durante uma festa na região da rua Voluntários da Pátria. Ela relatou ter sido confundida com outra pessoa logo na entrada do evento, o que desencadeou uma abordagem violenta por parte da equipe de segurança. “Recebi um mata-leão de um segurança homem, depois sofri asfixia mecânica e um chute no rosto”, afirmou. A Brigada Militar foi acionada e registrou a ocorrência como lesão corporal leve.

A produtora contesta e afirma que sofreu uma tentativa de homicídio. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de vídeos nas redes sociais. Durante o depoimento, Amanda chamou atenção para falhas na fiscalização de empresas de segurança privada e na regulamentação de eventos. Entre as propostas apresentadas estão a criação de protocolos mais rígidos de identificação de profissionais, cadastro de ocorrências envolvendo seguranças, impedimento de recontratação de empresas envolvidas em irregularidades e a implementação de uma central de ouvidoria.

Ela ainda destacou a necessidade de facilitar a emissão de alvarás temporários para eventos, como forma de reduzir a clandestinidade e garantir maior controle sobre exigências de segurança, como o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI). Leonel Radde afirmou que a comissão pretende avaliar medidas em nível estadual para enfrentar os problemas apontados, incluindo a possível elaboração de um projeto de lei. Radde comparou o episódio a casos anteriores de violência envolvendo seguranças, como o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em 2020, em uma unidade do Carrefour, que teve grande repercussão nacional.

“Mesmo que houvesse alguma conduta irregular, a ação foi completamente fora dos padrões. Já vimos pessoas morrerem em situações semelhantes”, afirmou. Além dos pedidos de informação aos órgãos competentes, a comissão também irá apurar possíveis irregularidades envolvendo a empresa de segurança citada, incluindo denúncias de alteração de CNPJ para continuidade das atividades.

Texto: Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

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