
Em sessão plenária na tarde desta quinta-feira (08), a deputada Sofia Cavedon abordou as denúncias de corrupção em Itaipu. Se trata de um esquema na gestão da usina hidrelétrica para beneficiar a empresa LEROS e políticos do PSL, partido do Bolsonaro, que foi divulgado esta semana pelo jornal paraguaio ABC. De acordo com a parlamentar, o intermediário da empresa Leros nas negociações secretas foi Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL), que é líder do Bolsonaro no Senado. As revelações aprofundaram a crise política no país vizinho e poderão levar ao impeachment tanto do presidente como do vice-presidente paraguaio por crime de lesa-pátria. “No Paraguai pedido de impeachment e demissão de autoridades; no Brasil sequer os jornais repercutem. Se não fosse a denúncia de técnicos da estatal Andi, o esquema corrupto de negócios já estaria em andamento”, disparou.
De acordo com a deputada, Bolsonaro sabia tudo sobre o acordo secreto, e teria inclusive pressionado o chefe do Executivo paraguaio, Mario Abdo Benitez para assinar a ata. Sofia relatou ainda que o periódico paraguaio acessou “comunicações reveladoras”, cujo conteúdo reflete pressões e ameaças dos brasileiros, assim como as reações de autoridades e funcionários paraguaios. Em mensagem de WhatsApp enviada ao presidente paraguaio, no início de junho – portanto, após a assinatura da ata bilateral – quando se discutia os termos da contratação da LEROS, o presidente da ANDE (Administración Nacional de Eletricidad), Pedro Ferreira, teria dito que estava preocupado, pois o que havia sido acordado era de que seriam vendidos 12% da energia paraguaia excedente, porém se depararam com 18%, o que significaria 341 milhões de dólares de custo para o Paraguai.
A suspeita levantada pelo presidente da estatal paraguaia incomodou o governo brasileiro e o Itamaraty adotou uma medida extrema, convocando o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier Caballero, o que também teria gerado mal-estar e Itaipu, no lado paraguaio. “Bolsonaro, diante da crise no país vizinho, apressadamente concordou da decisão unilateral do Paraguai de cancelar o acordo e para o recuo rápido e inusitado usou como pretexto de não prejudicar o presidente e o clima político no Paraguai, mas a imprensa paraguaia tem mostrado que o motivo da pressa nada tem a ver com solidariedade ao presidente paraguaio, mas com a intenção de abafar um escândalo de corrupção que tem no centro o seu líder de governo”, afirma Sofia.
Ainda conforme a deputada, Major Olímpio e seu suplente representam os interesses da empresa Leros, que explora jazidas de diamantes e nióbio no Brasil. “Lembram os senhores que por coincidência, no encontro do G-20, em Osaka, no Japão, Bolsonaro surpreendeu o mundo em uma live patética, fazendo propaganda do potencial comercial deste mineral”.
Texto: Claiton Stumpf (MTB 9747)

