O deputado Valdeci Oliveira cobrou na manhã desta terça-feira (24), durante reunião da Comissão de Assuntos Municipais (CAM) da Assembleia Legislativa, providências do governo Eduardo Leite em relação à situação da RSC-287, rodovia que foi concedida à iniciativa privada em 2021. “O preço do pedágio na RSC-287, que subiu recentemente, até se justificaria se víssemos obras realmente sendo realizadas, tivéssemos uma via de qualidade. É inadmissível pagar cinco pedágios entre Santa Maria e Porto Alegre e vermos as condições precárias em que a rodovia se encontra. São ondulações e buraqueira na pista, de ponta a ponta. E as obras, sejam elas de manutenção, duplicação ou recuperação de trechos por conta das chuvas de 2024, andam a passo de tartaruga”, criticou o parlamentar.
Valdeci lembrou ainda da visita a Santa Maria, feita pelo governador Eduardo Leite em setembro do ano passado, quando foram anunciadas as obras de reconstrução da ponte sobre o Arroio Grande, importante elo de ligação entre a Região Centro e a Capital que foi arrastada pelas chuvas há dois anos. “Fez um carnaval, mas além das obras que levaram um ano e meio para iniciarem estarem lentas, a empresa Sacyr, que é a concessionária responsável pela exploração da RSC-287, afirmou há poucos dias que não terá condições de dar continuidade aos trabalhos por conta de que o Estado não teria feito o repasse de recursos que fora acordado. Santa Maria tem sido desconsiderada e abandonada pelo governo estadual, que somente vai lá para fazer discurso de coisas que na prática não estão acontecendo ou que estão ocorrendo vagarosamente demais”, criticou o deputado.
Durante sua fala, Valdeci fez questão de destacar que sempre foi favorável à duplicação — com a respectiva cobrança de pedágio —, mas esta está ocorrendo apenas de forma pontual. “Se formos olhar o contrato veremos que ele está atrasado e sem justificativa para isso. Inclusive, várias obras de reconstrução que hoje estão sendo tocadas na rodovia receberam recursos do Funrigs”, explicou Valdeci, em referência ao fundo criado em 2024, principalmente com verbas federais enviadas para o combate às enchentes e oriundos da suspensão do pagamento da dívida do RS com a União por três anos.
“Vamos voltar a chamar a Sacyr e o secretário Pedro Capeluppi, da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, para aqui nesta Comissão esclarecerem esses pontos junto ao Comitê de Acompanhamento Permanente das obras na rodovia”, adiantou o deputado. O colegiado, criado a partir de uma proposta de Valdeci, é formado por membros da CAM, representantes do governo do Estado, Agergs (agência reguladora dos serviços públicos delegados), Sacyr, prefeituras, vereadores e comunidades envolvidas ao longo dos 204 quilômetros da RSC – de Tabaí a Santa Maria. “Não podemos aceitar o que está acontecendo, pois o dinheiro dos usuários que pagam pedágio em cinco praças vai direto para a empresa, mas a estrada fica cada dia pior”, comparou.
Texto: Tiago Machado e Marcelo Antunes
Foto: Claudio Fachel

