quinta-feira, 05 março

O deputado Leonel Radde, em entrevista recente, avaliou que o novo modelo de concessão das estradas e pedágios unificou o RS, gerando descontentamento tanto à direita quanto à esquerda. “Eduardo Leite conseguiu um grande feito. Unificar o RS no sentimento de indignação. O modelo das concessões das estradas estaduais é tão abusivo que prefeitos, entidades empresariais e movimentos sociais estão na mesma trincheira contra o governo”, declarou.

Leonel Radde também destacou como ponto de partida para a iniciativa do governo do Estado, as enchentes que atingiram o RS em 2024. “Com a destruição das estradas e pontes na catástrofe de 24, criou-se um fundo para a reconstrução, com dinheiro público, e foi utilizado. O governo investiu R$ 3 bilhões do fundo para refazer estradas e pontes e, imediatamente, entrega para a iniciativa privada. Ou seja, uma empresa vai fazer a gestão, lucrando com pedágios, estradas novas recuperadas com dinheiro público”.

Outro motivo de indignação, segundo o deputado, é o sistema de cobrança free flow. “Este sistema foi propagado como de fácil operação, com custo reduzido porque não precisaria construir praças de pedágio, mas não foi o que aconteceu. O que vimos foi a empresa colocando vários pórticos, cobrando o uso da estrada por quilômetro, sem falar na restrição a quem não lida com tecnologia, pessoas de mais idade, que são surpreendidas com multa, risco de perder a carteira e ainda têm que pagar a dívida adquirida sem nem perceber”, explicou.

O debate sobre estes e outros temas que envolvem as concessões de estradas seguem na CPI dos Pedágios que, nessa segunda feira (23), entregou ofício ao Ministério Público de Contas (MPC) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitando a suspensão imediata do leilão do Bloco 2 de concessões rodoviárias, previsto para 13 de março de 2026, na B3, em São Paulo.

Texto: Luciana Fagundes
Foto: Greice Nichele

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