quinta-feira, 05 março

 

O líder da bancada do PT/PCdoB, deputado estadual Miguel Rossetto, fez duras críticas à mensagem anual apresentada pelo governador Eduardo Leite ao Parlamento nesta terça-feira (10/2), classificando o pronunciamento como uma “despedida melancólica de um governo muito ruim”, após oito anos de gestão no Rio Grande do Sul.

Segundo Rossetto, o balanço apresentado pelo governador ignora os impactos negativos acumulados ao longo de dois mandatos, marcados pela venda de patrimônio público estratégico, como a CEEE, a Sulgás e a Corsan, pela desorganização do serviço público e pelo maior arrocho salarial da história do funcionalismo. O parlamentar também destacou o agravamento da situação fiscal do Estado, com previsão de déficit de R$ 3,8 bilhões em 2026 e aumento de quase R$ 50 bilhões na dívida. “Em oito anos de governo, venderam o patrimônio do Estado, desorganizaram o serviço público e deixaram uma herança fiscal pesada. A economia gaúcha não acompanhou o crescimento nacional, e a Constituição foi descumprida no financiamento da saúde, da educação, da UERGS e das universidades comunitárias”, afirmou Rossetto.

O deputado também criticou o que classificou como “desonestidade política” do governador ao não reconhecer, em sua mensagem, o papel decisivo do Governo Lula no apoio ao Rio Grande do Sul após a maior catástrofe social e ambiental da história do Estado. Rossetto lembrou os mais de R$ 100 bilhões destinados pelo governo do presidente Lula, a criação do FUNRIGS, com R$ 14 bilhões para financiar investimentos no RS, e a renegociação da dívida por meio do PROPAG, em condições mais favoráveis ao Estado.

“Hoje, os investimentos do Rio Grande do Sul estão sendo viabilizados pelo FUNRIGS e pelo apoio do Governo do presidente Lula. O governador não fez nenhuma referência a isso, nem à mudança estrutural na relação da dívida do Estado. Isso é grave”, destacou.

Para Rossetto, outro ponto “vergonhoso” da fala do governador foi a ausência de prioridade para o combate ao feminicídio em 2026. Ele criticou o fato de Eduardo Leite ter anunciado como prioridades temas como loterias, bets e jogatina, sem um chamamento firme à sociedade e aos poderes públicos para enfrentar a violência contra as mulheres.

“Em um ano em que 13 mulheres gaúchas já foram assassinadas, o governador anuncia loterias e apostas como prioridade e não faz uma referência enérgica à agenda de combate ao feminicídio. Isso é vergonhoso e gravíssimo. Não é um detalhe, é uma omissão que diz muito sobre as prioridades do governo”, afirmou o deputado.

Rossetto também questionou a fragilidade institucional da política para as mulheres no Estado, citando a existência de uma secretaria sem recursos e sob comando transitório, o que, segundo ele, demonstra a falta de compromisso real do governo com a pauta.

“O que ficou claro na mensagem é a ausência de uma agenda consistente para enfrentar os problemas reais do Rio Grande do Sul. O Estado precisa de políticas públicas fortes para a reconstrução, para a valorização do serviço público e para a proteção da vida das mulheres. Isso não apareceu na fala do governador”, concluiu.

 

Texto: Juliana Thomaz

Fotos: Kelly Demo Christ

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