A Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Zé Nunes, realizou, na quinta-feira (4/12), uma audiência pública no município de Harmonia para discutir o uso de bioinsumos na citricultura e fortalecer práticas sustentáveis no campo. O encontro, promovido por lideranças aconteceu na Sociedade Cultural e Beneficente do município, reuniu agricultores, entidades, especialistas e lideranças regionais, consolidando um amplo debate sobre alternativas ao uso de insumos químicos, redução de custos produtivos e ampliação da produtividade.
A mesa de abertura contou com a participação de Ivan Alberto Streit, presidente da Câmara Setorial da Citricultura do Vale do Caí; do vice-prefeito e secretário de Agricultura de Harmonia, Antônio Kunzler; de Andréia Loviane, representante do MDA/RS; do agrônomo Ronaldo Ferro, instrutor do Senar, do pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Dr.Roberto Pedroso de Oliveira; do Dr.Samar Velho da Silveira, representando a Superintendência do MAPA; de Marcos Lottermann, presidente da Ecocitrus; de Rui Ragagnim, fiscal agropecuário da Secretaria da Agricultura do Estado; e de Pedro Veit, da Emater/Ascar.
No decorrer da audiência, foi apresentado um panorama técnico sobre a legislação atualizada, as diferentes variedades de bioinsumos e suas aplicações no manejo da citricultura. Foram detalhados o papel desses produtos no controle de pragas, na nutrição das plantas, na melhoria da produtividade, na preservação ambiental e na redução da dependência de insumos químicos. Também foram compartilhadas experiências práticas da região, com resultados obtidos no uso de biológicos no cotidiano das propriedades.
O debate trouxe ainda informações sobre o crescimento do mercado de bioinsumos no Brasil, abrangendo produções locais e modelos empresariais. Destacou-se a Lei nº 15.070/2024, que regulamenta a produção, comercialização, fiscalização e uso de bioinsumos no Rio Grande do Sul, estabelecendo diretrizes para biofábricas e para a multiplicação destinada ao uso próprio por agricultores, associações e cooperativas.
Outro ponto central da discussão foram os fatores que determinam o sucesso dos produtos biológicos, como condições físicas e químicas do solo, equilíbrio nutricional e análises adequadas de plantas e frutos. Também foram apresentados diferentes sistemas de multiplicação de microrganismos, anaeróbicos, aeróbicos e isolados, com orientações sobre custos, necessidade de mão de obra e adequação às realidades de propriedades de diferentes portes.
O controle de pragas e doenças que afetam a citricultura, como ácaros, mosca-branca, pulgões, cochonilhas, larva-minadora e mosca-das-frutas, além de enfermidades como verrugose, gomose, cancro, antracnose e mancha de alternaria, foi amplamente discutido. Os participantes defenderam sistemas produtivos equilibrados e simplificados, capazes de ampliar a eficácia dos biológicos e impulsionar uma citricultura mais sustentável no estado.
Agricultoras e agricultores também contribuíram com relatos, desafios e propostas. Manifestaram-se Eduardo Cesar Schroder, produtor orgânico de Harmonia e Pareci Novo; Paulo Roberto Lenhardt, da Bio-C; Brenda Kehl, agricultora e representante do deputado Elton Weber e assessora do deputado Heitor Schuch; Rivaldo Ferron, assessor do deputado Zé Nunes; e Cláudio Pereira Batata, assessor de Agricultura da Bancada do PT. Ivan Alberto e o pesquisador Roberto Pedroso retornaram ao debate para aprofundar pontos técnicos levantados pelo público.
O deputado Zé Nunes destacou a relevância do tema e o compromisso do Parlamento em fortalecer a transição agroecológica na citricultura. “Os bioinsumos são uma ferramenta estratégica para garantir competitividade, reduzir custos e proteger o meio ambiente. A agricultura familiar precisa ter acesso a essas tecnologias de maneira segura e regulamentada”, afirmou.
Texto: Jean Lazarotto – MTE 20325
Foto: Tito Lima

