quinta-feira, 05 março
O trabalho desenvolvido há 21 anos pelo Centro Social Antônio Gianelli, instituição localizada na Região Sul de Porto Alegre, que atua na educação e assistência social de crianças, adolescentes, acolhimento de mulheres vítimas de violência e famílias em vulnerabilidade social, recebeu, nesta quarta-feira (3/12), o reconhecimento do Parlamento gaúcho, simbolizado pela outorga da Medalha da 56ª Legislatura da Assembleia Legislativa, uma proposta do deputado Valdeci Oliveira. “Não estamos acostumadas a receber prêmios, medalhas, ainda que fiquemos muito agradecidas por este reconhecimento. Talvez porque ficamos escondidos, neste canto (da cidade), longe do centro, da mídia, das instituições, mas perto das pessoas que precisam”, afirmou irmã Raquel Pena durante seu discurso de agradecimento, lembrando que tudo teve início a partir de um sopão que era feito três vezes na semana, “no meio das ruas, literalmente”, completou.
A cerimônia de homenagem, que contou com a participação de cerca de 80 crianças e adolescentes, de 2 a 18 anos, aconteceu na sede do Centro Social, no bairro Belém Velho, no Assentamento Sertão II, uma das quatro unidades de atuação da entidade localizadas em regiões de alta pobreza da capital gaúcha.

Além da Honraria, a instituição foi contemplada com uma emenda parlamentar indicada por Valdeci e aprovada na Lei Orçamentária Estadual a ser executada já em 2026. O recurso de R$ 100 mil será acessado a partir de um plano de trabalho elaborado pelo Centro Social contemplando custeio e investimentos na instituição. “Esse é um tipo de trabalho que precisa ser visibilizado, principalmente depois de tantos ataques desferidos à educação, aos educadores e às ações sociais que garantem dignidade às pessoas. A gente não veio para esse mundo só para fazer peso em cima da terra. Viemos para cumprir uma missão. E essa missão só tem valor se for para o bem do coletivo, o bem comum, daqueles mais vulneráveis. E tenho certeza de que esse apoio fará toda a diferença”, afirmou Valdeci durante sua fala.

 

Trajetória – Criado em 2004, em uma área de ocupada em 1999 por populações socialmente excluídas vindas de outras regiões da cidade e do interior do Estado, o Centro Social também é voltado à geração de renda (como cursos para aprender a fazer pão e de manicure) e na busca de melhora da autoestima das pessoas da comunidade, em campanhas organizadas que incluem arrecadação de alimentos, livros para formar uma biblioteca, roupas (a serem revendidas no Brechó do Centro Social), instalação de energia solar, entre outras. Hoje são duas escolas de Educação Infantil, serviços de convivência e fortalecimentos de vínculos da infância e da adolescência e cozinha comunitária que está sendo reformulada para alavancar sua atuação junto à comunidade. O Centro Social oportuniza oficinas de patinação, música, informática, esporte, inglês, informática, cultura de Paz e acompanhamentos psicológico e pedagógico.

Em 2022, a instituição, que atualmente atende a cerca de 400 crianças, passou a administrar a Casa Betânia, um serviço de acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência doméstica e de gênero e seus filhos menores. Mesmo diante de muitos avanços, ainda há muitos desafios. Além da violência e dos problemas trazidos pelo tráfico de drogas, há um grande índice de semianalfabetismo, o que dificulta a busca por trabalho e sustento. “Como nos lembra o próprio site do Centro Social, eles enfrentam muitas dificuldades, têm limites, precisam do trabalho de muitos e da solidariedade de todos”, afirma Valdeci.

O ato de homenagem e reconhecimento contou também com as presenças de alunos e educadores do Centro Social, do ex-governador Olívio Dutra e da vereadora suplente Jane Pilar (PT).

Texto: Tiago Machado – MTE 9.415 e Marcelo Antunes – MTE 8.511
 
Compartilhe