Especialistas, pesquisadores e produtores participam nesta terça-feira (25/11), em Porto Alegre, do Seminário Estadual Sobre Bioinsumos. O encontro busca discutir o avanço da produção de alimentos a partir de bioinsumos, tecnologia que vem ganhando força em vários estados pela capacidade de reduzir custos, aumentar produtividade e diminuir a dependência de agrotóxicos. Na abertura do seminário, o deputado Adão Pretto Filho reforçou que a adoção de bioinsumos é um caminho estratégico para transformar o modelo agrícola do Rio Grande do Sul em direção à sustentabilidade.
“O Brasil e o Rio Grande do Sul têm condições de liderar uma transição agroecológica de verdade. Os bioinsumos já são uma realidade no campo, mas precisam de política pública, de fomento, de estrutura. A agricultura familiar e os assentamentos estão mostrando que é possível produzir mais, com menos veneno e com mais renda. Agora falta o governo do estado fazer a sua parte e regulamentar a lei que nós aprovamos”, afirmou Adão. Ele também cobrou do governo Eduardo Leite a regulamentação da Política Estadual de Fomento à Agricultura Regenerativa, Biológica e Sustentável, criada a partir de um projeto de lei de sua autoria e sancionada em 2024.
A legislação prevê que o estado estruture linhas de apoio técnico, crédito, formação e incentivo à produção de bioinsumos. Durante o evento, promovido pela Emater, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Adão destacou que a falta de regulamentação trava o alcance das políticas e impede que municípios, produtores e instituições de pesquisa tenham segurança jurídica para expandir iniciativas já em curso. O deputado lembrou ainda que experiências consolidadas no estado comprovam o potencial dos bioinsumos.
Como exemplo, citou a produção de arroz orgânico dos assentamentos da reforma agrária na Região Metropolitana, referência internacional de agricultura de base ecológica. Estudos apontam que a produtividade do arroz pode aumentar até 30% quando produzido com bioinsumos. O seminário, que conta com realização da Embrapa, Unipampa e Instituto Federal, segue até quarta-feira (26). No segundo dia, haverá visita técnica em Viamão, envolvendo produtores de arroz e hortigranjeiros, além de uma agenda na Biofábrica do MST, que abastece diversas experiências de produção agroecológica no Estado.
Texto: Guilherme Zanini
Foto: Paulo Roberto Silva

