A Força-Tarefa de Combate aos Feminicídios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, coordenada pela deputada Stela Farias, inaugurou hoje a exposição “Arrancadas de Nós, Histórias que Precisam Ser Contadas”, um memorial fotográfico dedicado a mulheres e meninas assassinadas pelo feminicídio no Estado. A mostra, que já percorreu mais de 30 cidades desde abril, nasceu do pedido de uma mãe que perdeu a filha para a violência e deixou um único apelo: “não deixem que ela seja esquecida”.


Transformada em exposição itinerante, a iniciativa devolve humanidade às vítimas, apresentando suas histórias e rostos para além das estatísticas. As famílias participaram da abertura, cedendo fotos e memórias. “Elas não eram números. Tinham planos, rotinas, sonhos. E foram interrompidas de forma brutal”, afirmou Stela Farias.
Durante a cerimônia, a parlamentar reforçou o alerta sobre o avanço da violência letal contra mulheres. O Brasil encerrou 2024 como o 5º país que mais matou mulheres no mundo, com 10 feminicídios por dia. O Rio Grande do Sul ficou em 7º lugar entre os estados. A subnotificação no Estado também foi denunciada: enquanto os dados oficiais apontaram 72 feminicídios, o levantamento da Lupa Feminista em parceria com a Força-Tarefa identificou 111 casos, quase 40 a mais.
Stela lembrou que o desmonte das políticas públicas para mulheres, especialmente a partir de 2015, abriu espaço para o avanço da violência. “Quando o Estado recua, a violência avança. Sempre”, ressaltou. Ela também defendeu que a recém-recriada Secretaria de Mulheres precisa de orçamento e estrutura para enfrentar o problema com seriedade.

Também foram apresentados dois projetos de lei em tramitação na ALRS:
• PL 339/2025 – estabelece diretrizes para um Protocolo Estadual de Investigação e Perícias em Feminicídios, com perspectiva de gênero;
• PL 214/2025 – institui o Plano Estadual de Enfrentamento aos Feminicídios, com ações de prevenção primária, secundária e terciária.
As propostas buscam qualificar a prevenção, proteger mulheres em risco, garantir reparação às famílias e responsabilizar agressores.
A exposição segue aberta ao público na Assembleia Legislativa e continuará seu percurso pelo Estado. “Esta mostra é denúncia, memória e resistência. Um alerta duro e necessário: não aceitaremos mais que arranquem mulheres das nossas vidas”, concluiu Stela Farias.
Texto: Luciane Franco
Fotos: Geice Nichele

