Acidentes de trabalho, mortes e cobranças abusivas foram os temas que marcaram a reunião da CPI da CEEE Equatorial e RGE, nesta quinta-feira (13/11), na Assembleia Legislativa. Presidida pelo deputado Miguel Rossetto, a comissão recebeu o diretor-executivo da Rio Grande Energia (RGE), Ricardo Dalan de Vargas. O dirigente afirmou que a companhia, desde 2019, registrou 592 acidentes de trabalho: mais da metade (303) envolvendo funcionários terceirizados.
Questionado por Rossetto sobre as dificuldades para ampliar o atendimento da empresa no interior do estado, Vargas reconheceu, durante a oitiva, que apenas um terço da área rural atendida pela companhia está conectada à rede trifásica, o equivalente a 140 mil unidades. Atualmente, a empresa atende 3,1 milhões de clientes em 381 municípios, dos quais 420 mil estão no meio rural. “Temos um terço apenas conectado a essa rede”, afirmou Vargas.
O dirigente garantiu, no entanto, que a empresa quer aumentar os investimentos na rede trifásica e explicou que, em dez anos, a companhia triplicou os investimentos da companhia. Segundo ele, em média a empresa investe R$ 1,5 bilhão por ano. Os investimentos previstos até 2029 devem chegar a R$ 9,3 bilhões. “São cerca de R$ 50 milhões por ano para ampliar a malha trifásica”, assinalou.

Rossetto também cobrou respostas da empresa sobre as cobranças abusivas na região da Serra — especialmente em Caxias do Sul, onde há mais de mil denúncias e 319 processos no Procon. Após as denúncias, Vargas afirmou que a empresa apurou 546 reclamações por variação de consumo na região da Serra, onde a RGE atende 238 mil clientes. Ele justificou que o aumento do consumo, em junho, causou a disparada das tarifas.
“(A região) Passou por mais de seis semanas de frio intenso. Natural as pessoas procurarem formas de se aquecer. Houve um degrau de consumo em função do comportamento das pessoas”, garantiu, ressaltando que 75% dos clientes que reclamaram das cobranças já pagaram as contas. “Estão faltando 130 clientes que ainda estão com faturas em aberto”, observou.
Ao destacar a importância de reforçar o atendimento aos clientes insatisfeitos com as cobranças, Rossetto afirmou que a empresa deve seguir o mais próximo dos consumidores de tal forma que não reste “nenhuma dúvida sobre a legitimidade desta cobrança”. Rossetto destacou a iniciativa da RGE de seguir dialogando com o Procon de Caxias do Sul para dirimir quaisquer problemas com os clientes.
Sobre os problemas enfrentados na ampliação da rede trifásica, Rossetto chamou atenção para a necessidade de investimentos. “Um ponto de atenção é que 50% ainda dos consumidores nas áreas rurais atendidas pela RGE estão para receber os investimentos da rede trifásica”, lembrou. Ele criticou o elevado número de acidentes de trabalho, que apontam para uma média de 100 casos por ano, além de 7 mortes desde 2019.

A deputada Laura Sito afirmou que há relatos de cancelamento de pedidos de novas ligações sempre que identificava risco de ultrapassar prazos regulatórios. Vargas ressaltou que todos os processos da companhia são regulados, além da empresa passar por auditorias interna e externa. “Não temos evidência de que temos descumprido regra regulatória ou alguma coisa em desacordo com o que manda a legislação”, concluiu.
Texto: Felipe Samuel e Claiton Stumpf
Foto: Greice Nichele

