quinta-feira, 05 março
Representantes de entidades industriais e empresariais relataram nesta segunda-feira (06/10), na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CEEE Equatorial e da RGE, os impactos provocados nos setores por conta dos problemas de fornecimento de energia elétrica enfrentados no Rio Grande do Sul. Lideranças da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) reconheceram a necessidade de melhorar a qualidade e o atendimento dos serviços oferecidos pela CEEE Equatorial.
 

O presidente da CPI e líder da Bancada do PT/PCdoB, deputado Miguel Rossetto, destacou a importância da CPI para investigar as recorrentes falhas no fornecimento de energia elétrica. Rossetto observou que a população está cansada de enfrentar problemas como queda de energia, demora de religação, flutuação de tensão, problemas em equipamentos e falta de informação. Além do descaso da CEEE Equatorial com os consumidores, Rossetto afirmou que muitos empresários adquiriram geradores de energia para evitar novas perdas.

“Quando um empreendedor, um lojista, um cara do mercado, quando um prédio, uma edificação em Porto Alegre apresenta, anuncia que tem gerador próprio, isso é um fracasso absoluto de um sistema de distribuição. Chamo a atenção da gravidade, da urgência de tempo para que o nosso Estado, uma parte importante do Estado, tenha uma oferta de energia e um padrão básico. Isso nos preocupa muito”, ressaltou. Para Rossetto, o tema merece muita atenção da empresa.
Coordenador do GT Energia da Fiergs, Ricardo Pigatto lembrou que​ a entidade representa mais de 52 mil industriais e defende as concessões. Ele destacou a importância da fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Agência Gaúcha de Regulação dos Serviços Delegados (Agergs) sobre os serviços da CEEE Equatorial. A Fiergs é defensora das concessões, dos bons serviços e também da fiscalização das agências de regulação. É absolutamente favorável às agências de regulação.
Pigatto cobrou melhorias na infraestrutura, sobretudo na instalação de transformadores, cabeamento e capacitores. Ele avaliou que, por ora, não há dificuldade de suprimento de geração, mas há necessidade de reforçar as redes para que a energia chegue com melhor qualidade. “A indústria ainda padece em algumas pontas do sistema da qualidade da energia que é entregue. Isso tem que ser resolvido”, frisou.

Vice-presidente regional da Federasul, Valdir Mattos afirmou que a entidade recebe solicitações de empresas para intervir junto às concessionárias. Os pedidos são referentes à necessidade de melhorar o fornecimento de energia e mitigar as interrupções. Conforme Mattos, as constantes quedas de energia provocam prejuízos ao setor. Ele ressaltou que a CEEE Equatorial demorou a compreender a importância do fornecimento de energia elétrica principalmente em áreas rurais do Estado.
Conforme Mattos, 70% das redes da empresa estão localizadas em áreas rurais e estavam bastante danificadas. “Ao longo do tempo foi possível perceber grande dificuldade. Um ponto importante, a qualidade do atendimento, ainda que tenha interrupções, é quando a gente não consegue ter retorno de quanto tempo vamos ficar com energia interrompida. É muito ruim. Esse é o ponto de comunicação, pois as falhas persistem sistematicamente, não sei se pela abrangência da área de concessão. Isso incomoda o consumidor”, afirmou.

CPI confirma mais três audiências
Após realizar três audiências públicas — Porto Alegre, Osório e Rio Grande —, o colegiado confirmou outras três reuniões: Caxias do Sul, em 16 de outubro; Erechim, em 30 de outubro; e Santana do Livramento, 6 de novembro. Na próxima segunda-feira (13/10), a CPI recebe outras entidades: Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) e Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O colegiado também aprovou cinco requerimentos, quatro propostos por Rossetto e um pela deputada Laura Sito. Um dos requerimentos pede que seja​m oficiados a CEEE Equatorial e a RGE Energia para que encaminhem à CPI, no prazo legal, documentos e relatórios oficiais que apresentem os dados atualizados sobre os beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica no Rio Grande do Sul.

Texto: Felipe Samuel 
Foto: Greice Nichele

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