quinta-feira, 05 março

 

Em discurso contundente na tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a deputada Stela Farias (PT) denunciou o que chamou de “um padrão de retrocessos e descaso” promovido pelo governo de Eduardo Leite. Segundo a parlamentar, o Executivo estadual tem priorizado interesses privados em detrimento da população, desmontando serviços públicos, sacrificando os mais pobres e negligenciando compromissos históricos do Estado.

Um dos exemplos citados pela deputada, na tarde de quarta-feira (24/09) foi o Projeto de Lei 280, que tramita na Casa e autoriza a doação da área da antiga Fepagro para a prefeitura de Viamão. De acordo com Stela, o terreno em questão é território indígena, parte de um acordo judicial, onde vivem cerca de 60 famílias. “Em vez de respeitar a dignidade desses povos, o governo abre caminho para a especulação imobiliária. É uma afronta às comunidades indígenas e à história do povo gaúcho”, afirmou.

Stela Farias também apontou irregularidades cometidas pela Corsan privatizada, que estaria perfurando poços artesianos sem licenças e estudos ambientais, colocando em risco a região de Águas Claras, em Viamão, e toda a bacia do Rio Gravataí. “Isso demonstra a omissão criminosa do Estado em regular atividades de impacto ambiental”, criticou.

Outro alvo das denúncias foi o projeto de instalação de um aterro sanitário na Fazenda Monte Verde, na Rodovia Acrísio Prates, em Viamão. A deputada classificou a iniciativa como “um lixão disfarçado”, que ameaça a saúde da população e compromete áreas de preservação ambiental.

A parlamentar lembrou ainda que a duplicação da ERS-118 segue inconclusa, mesmo com recursos disponíveis do FUNRIGS, prejudicando trabalhadores, estudantes e produtores rurais da Região Metropolitana que dependem diariamente da rodovia.

No campo das políticas para mulheres, Stela Farias criticou a falta de efetividade na recriação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, anunciada em junho de 2025 pelo governador e aprovada dois meses depois pela Assembleia. “Até hoje a secretaria não saiu – o anúncio da secretária foi feito pelo governo após o pronunciamento de Stela – do papel, enquanto o Rio Grande do Sul bate recordes de feminicídios sem uma política robusta de prevenção e acolhimento”, alertou.

A deputada também lembrou a tragédia climática de maio de 2024, quando o governo estadual anunciou R$ 4,1 bilhões para o Plano Rio Grande, mas até agora teria executado apenas R$ 373 milhões. Para ela, o governador transformou a dor das comunidades em palanque político. “Quem socorreu o Estado de verdade foi o governo Lula, com R$ 111,6 bilhões, dos quais R$ 89 bilhões já foram executados”, destacou.

Entre outras críticas, Stela Farias citou o aumento do ICMS, a ausência de reajuste para servidores públicos, os pedágios considerados abusivos e os acordos firmados pelo governo estadual para só cumprir o mínimo constitucional da saúde em 2030 e da educação em 2032. “Tudo isso revela um projeto deliberado de Estado mínimo: desmonta-se a saúde, a educação e a proteção social, enquanto se blindam os privilégios de poucos”, denunciou.

A deputada concluiu o pronunciamento afirmando que Viamão simboliza os retrocessos do governo Eduardo Leite e reafirmou seu compromisso de resistir. “O Rio Grande do Sul não precisa de mais sacrifícios. Precisa de justiça social, de desenvolvimento sustentável, de democracia e de respeito ao seu povo”, declarou.

 

Texto: Luciane Franco 

Foto: Kelly Demo Crhist 

Compartilhe