O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica. Para uma nação que figura entre as dez maiores economias do mundo, não existe a opção de ficar à margem das grandes transformações tecnológicas e industriais em curso no planeta. O que está em jogo é muito mais que produção e mercado: trata-se da capacidade de garantir soberania, inovação, desenvolvimento sustentável e atendimento às necessidades da população.
É com esse olhar estratégico que a Frente Parlamentar da Microeletrônica e o Fórum Democrático da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul promovem, no dia 19 de setembro, no Teatro da Unisinos, em Porto Alegre, um debate sobre inovação tecnológica e crescimento sustentável, com a presença de Luiz Antonio Elias, presidente da Finep. A instituição tem sido fundamental no financiamento de pesquisas e projetos de inovação, oferecendo instrumentos capazes de transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social. Será uma oportunidade única para pesquisadores, empreendedores, estudantes e todos os que acreditam que a ciência e a inovação são motores do progresso.
O governo do presidente Lula recolocou na agenda nacional o tema da política industrial e tecnológica, abrindo uma janela histórica de oportunidades. Depois de anos de abandono, o Brasil retoma o caminho de investir em ciência, tecnologia e inovação como pilares de um projeto de futuro. Essa escolha não é apenas econômica: é política e estratégica, porque define a nossa capacidade de produzir riquezas, gerar empregos de qualidade e assegurar inclusão social. Esse é o desafio colocado para o Brasil: afirmar sua estratégia nacional de desenvolvimento industrial que integre ciência, tecnologia e produção, mobilizando universidades, centros de pesquisa, empresas e Estado.
No caso do Rio Grande do Sul, quarto parque industrial do país, o desafio estratégico é compartilhar este novo ciclo do Brasil. Não dispomos hoje de uma agenda industrial estadual robusta, nem de um conselho de desenvolvimento capaz de articular recursos e políticas em favor da inovação. É preciso mudar esse cenário. A construção de uma política industrial ativa no estado é essencial para que possamos alinhar nossa vocação produtiva às demandas nacionais e globais.
A soberania de um país não se mede apenas pelo tamanho do seu território ou de suas Forças Armadas. Ela depende, cada vez mais, da sua capacidade de dominar setores estratégicos da economia e das tecnologias. Deixar de investir nessas áreas é abrir mão do futuro.
Se queremos um Brasil desenvolvido, justo e sustentável, precisamos investir em ciência, tecnologia e inovação. Precisamos construir as bases de uma política industrial moderna e comprometida com os desafios de nosso tempo. Precisamos, sobretudo, compreender que a disputa pelo futuro já começou — e que estar à margem não é uma escolha que o Brasil possa fazer.
Deputado estadual e líder da Bancada PT/PCdoB Miguel Rossetto
Artigo publicado originalmente em 17 de setembro de 2025 no site Sul 21
Foto: Kelly Demo Christ

