quinta-feira, 05 março

O Instituto de Educação General Flores da Cunha, uma das escolas mais tradicionais de Porto Alegre e referência na formação de professores no Rio Grande do Sul, ainda vive um momento de conflito em meio à restauração de seu prédio histórico. O projeto original de restauro, elaborado em 2014 com participação da comunidade escolar, previa a recuperação integral da estrutura para atender 2,5 mil estudantes, com 30 salas de aula, nove laboratórios, biblioteca, espaços culturais e um bloco exclusivo para a Educação Infantil.

A obra, que foi retomada em 2022 após anos de paralisação, sofreu mudanças unilaterais determinadas pelo governador Eduardo Leite. Em vez de garantir o retorno do Instituto como escola pública em sua totalidade, parte das áreas restauradas foi destinada a iniciativas externas, como o “Museu Escola do Amanhã” — em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) — e um Centro de Desenvolvimento de Profissionais da Educação.

As alterações reduziram em cerca de mil as vagas ofertadas e provocaram o fechamento das turmas de Educação Infantil, justamente em um momento em que Porto Alegre registra déficit expressivo nessa etapa. Segundo o Censo do IBGE (2022) e o Censo Escolar (2024), apenas 40,23% das crianças de 0 a 3 anos têm acesso à educação infantil na capital gaúcha.

Em 2024, o Instituto retomou as aulas em meio a dificuldades: sem biblioteca em funcionamento, sem profissionais suficientes para o turno integral e com déficit de monitores para garantir segurança aos estudantes. Alunos do 5º ano seguem em prédio anexo, sem acessibilidade, sem Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI) e em condições precárias.

Diante do cenário, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), vice-presidenta da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, encaminhou um documento ao ministro da Educação, Camilo Santana, pedindo atenção ao caso e apoio para garantir que o Instituto Flores da Cunha seja preservado como escola pública.

“Estamos falando de uma instituição com 156 anos de história, que sempre foi referência na educação pública do nosso Estado. É inadmissível que áreas da escola sejam entregues a outros projetos, em detrimento de milhares de estudantes e da própria Educação Infantil, que tem um déficit gravíssimo em Porto Alegre”, afirmou a parlamentar.

A mobilização conta também com o Movimento em Defesa do Instituto de Educação Flores da Cunha, formado por comunidade escolar, ex-alunos e professores, que exige a preservação do projeto original e a retomada da capacidade plena de atendimento. O ofício ao MEC foi entregue pela assessora parlamentar da deputada Sofia Cavedon, Guadalupe Menezes, à assessora do ministro Camilo, Ana Gardennya Linard.

Texto: Marta Resing (MTE 5405)
Foto: Claudio Fachel (Agência ALRS)

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