O deputado Valdeci Oliveira voltou a cobrar, nesta terça-feira (19/08), durante reunião ordinária da Comissão de Assuntos Municipais (CAM) da Assembleia Legislativa, o início das obras de construção da ponte sobre o Arroio Grande, em Santa Maria. A estrutura foi levada pelas águas há 15 meses, durante a enxurrada ocorrida no final de abril de 2024. Em reunião do Colegiado, em 15 de julho, o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, garantiu, por duas vezes, que as obras teriam início durante o mês de agosto.
E faltando dez dias para o encerramento do prazo, não há sinal algum de que isso ocorrerá. “O mais grave, e o que me preocupou muito, foi que, na última sexta-feira (15), uma emissora de rádio de Porto Alegre fez uma matéria sobre o atraso das obras e recolheu informações junto à Sacyr de que não havia, até aquele momento, prazo algum para o início dos trabalhos. Será que a palavra do secretário não vale? Será que de fato estão brincando com a sociedade?”, questionou Valdeci.
Ainda segundo o parlamentar, “não dá mais para continuarmos só ouvindo o governo do Estado, o secretário Capeluppi e a própria empresa concessionária brincando de dar informações para a sociedade. Naquela ocasião, nesta mesma sala, na presença de muita gente, ficou claro que em agosto as obras teriam início. É uma vergonha”, protestou Valdeci, intitulado pelos colegas como o ‘chato da 287’. O parlamentar lembrou que no dia 16/9 haverá uma nova reunião do comitê Permanente de acompanhamento dos trabalhos de duplicação – que reúne representantes do governo, da Agergs, da própria concessionária, além de gestores municipais, parlamentares e usuários da rodovia.
“É inadmissível, que uma empresa multinacional, do tamanho da Sacyr e do aporte de recursos que dizia ter para fazer a duplicação, até agora não apresentar um projeto definitivo e começar a construção da ponte. É no mínimo incompetência e, mais que isso, ela está brincando de tratar algo sério como é o caso dessa obra pública”, protestou, indagando aos presentes se a palavra do secretário tinha ou não algum valor. Na avaliação do deputado, ou o governo reage sobre a questão ou se mostrará totalmente conivente com a situação, acrescentando não se tratar de uma questão individual, mas que envolve toda a região Central.
“Me somo ao deputado Valdeci. Na última sexta-feira precisei ir ao município de São Borja participar de compromissos e me recusei a usar a 287, pois eu sei como ela se encontra. Tinham que interditar as cinco praças de pedágio instaladas na rodovia enquanto eles não apresentarem um planejamento de execução (dos trabalhos)”, sugeriu o deputado Airton Lima (Podemos).
“Hoje a cobrança está em R$ 5,50 e a empresa já protocolou na Agergs pedido para aumentar o valor. Esta Casa está sendo desmoralizada”, completou Valdeci. Por sugestão do deputado Elton Weber, a presidência da Comissão irá solicitar novamente informações, tanto à concessionária quanto à Secretaria da Reconstrução Gaúcha, sobre quando, definitivamente, iniciarão os trabalhos da nova estrutura sobre o Arroio Grande, fundamental ligação entre Santa Maria para a Quarta Colônia e Região Metropolitana de Porto Alegre.
CONCESSÃO – A RSC 287 foi concedida pelo governador Eduardo Leite à iniciativa privada por um período de 30 anos, em 2021, com direito a 5 praças de pedágio instaladas ao longo dos seus 204 km entre Santa Maria e Tabaí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ausência de concorrência na época – a empresa multinacional espanhola Sacyr foi a única interessada no edital -, a quantidade de postos de cobrança, valores da tarifa, período de concessão e organograma dos trabalhos de duplicação, por exemplo, têm sido objetos constante de críticas, tanto da sociedade como de gestores públicos e partidos de oposição e situação.
Texto: Tiago Machado (MTE 9.415) e Marcelo Antunes (MTE 8.511)
Foto: Nathan Oliveira

