quinta-feira, 05 março

O sono de muitos agricultores – sobretudo os de pequeno porte, é voltar a ter crédito para investir em suas propriedades rurais e na produção de alimentos. Entretanto, as perdas ocasionadas pelas estiagens e enchentes dos últimos anos fez com que essas famílias contraíssem dívidas. Foi com esse objetivo que o governo Federal lançou em fevereiro de 2025 o Desenrola Rural. O programa é voltado à renegociação das dívidas com a União, como Pronaf, Crédito Instalação e outros débitos já inscritos na Dívida Ativa da União (DAU).

Um dos proponentes da criação do Desenrola Rural é o deputado Adão Pretto Filho. Segundo ele, o programa tem se demonstrado um importante instrumento para que os agricultores possam renegociar pendências e voltem a acessar o crédito agrícola. “As informações que temos através do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) é que já são 90 mil contratos assinados dentro do Desenrola Rural, num total de R$ 1,7 bilhão renegociados”, explica Pretto.

Uma estimativa do MDA é que 70% dos agricultores que acessaram o Desenrola têm dívidas de até R$ 10 mil. Outros 22% possuem passivos entre R$ 10 mil e R$ 50 mil e 9% estão com débitos acima de R$ 50 mil. Ao todo, o deputado projeta que mais de 900 mil agricultores tenham direito a acessar o Desenrola Rural.

“Quando o governo Lula lançou o Desenrola Brasil, voltado para tirar o nome dos brasileiros do SPC e Serasa, nos questionamos o porquê de não estendermos para os agricultores. Depois de dois anos de negociação, o programa foi lançado e é muito vantajoso. Em alguns casos, é possível renegociar até 95% das dívidas. Isso demonstra o olhar sensível do governo Lula para a agricultura familiar, que é quem produz 70% da comida que chega à mesa dos brasileiros”, afirma o deputado.

Desenrola Rural 2
Em recente ida a Brasília, o deputado Adão esteve reunido com o ministro Paulo Teixeira e a equipe do MDA para tratar de uma possível ampliação do Desenrola, a qual está chamando de Desenrola Rural 2. Segundo ele, os bons números apresentados pelo programa nos primeiros meses após a implementação, são o indicativo de que possa ser ampliado.

“A gente sabe que a situação não está fácil para milhares de produtores. A adesão ao Desenrola Rural nesses primeiros meses demonstra que podemos ampliar as faixas de atendimento às famílias produtoras. Nossa proposta é tornar esse programa mais amplo e facilitar o acesso a ele”, conclui Adão.
Agricultores que desejam aderir ao Desenrola Rural devem procurar instituições financeiras e cooperativas de crédito, como Sicredi, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BRDE, para propor a renegociação de débitos.

Texto: Guilherme Zanini

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