terça-feira, 11 agosto

 

Dois anos após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, a população de São Leopoldo ainda aguarda o início das obras do sistema de proteção contra cheias, especialmente do dique da Feitoria. Diante da demora na execução dos projetos e da falta de informações do Governo do Estado, a Comissão de Assuntos Municipais (CAM) reuniu, nesta terça-feira (11/08), vereadores, representantes de entidades comerciais e da academia para discutir o andamento das obras.

Proponente da audiência pública, o deputado Halley Lino cobrou respostas do governo Eduardo Leite e destacou que o Governo Federal disponibilizou R$ 6,5 bilhões para obras de proteção contra as cheias no Rio Grande do Sul. Segundo o parlamentar, recursos destinados à reconstrução do Estado, tanto do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) quanto do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), permanecem sem aplicação. Halley também ressaltou a necessidade de atualização dos projetos de proteção contra enchentes.

“Vamos encaminhar um documento à Secretaria de Reconstrução do RS, ao Governo Federal, reforçando a urgência desses projetos”, afirmou. O deputado defendeu ainda o acompanhamento permanente das ações por parte de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público estadual (MP). Durante a audiência, a Associação dos Empresários e Profissionais Liberais do Bairro Feitoria (Assemplife) entregou um documento à comissão com pedidos de informação ao governo do Estado sobre o andamento dos projetos previstos para São Leopoldo.ma, a contratação, a ordem de início e a previsão para o começo das obras do dique da Feitoria. A entidade pediu informações sobre as medidas emergenciais e preventivas que serão adotadas enquanto a obra definitiva não for concluída, com o objetivo de reduzir os riscos de novas enchentes. Representante da Assemplife, Odinir De Zorze afirmou que cerca de 30% do comércio do bairro fechou após a enchente, deixando a região “numa cidade fantasma”. “São dois anos e nenhuma obra saiu do lugar”, declarou. Ele acrescentou que a população voltou a enfrentar apreensão diante das chuvas registradas na semana passada. “Mais de 24 meses se passaram e o dique não está pronto”, alertou.

A vice-prefeita de São Leopoldo, Regina Caetano, também criticou a demora do Governo Leite e cobrou urgência na execução das obras de proteção contra cheias. “Faz dois anos que toda essa população passou por uma enchente que vai ficar marcada na vida de todos nós. Em dois anos, não conseguimos iniciar nenhuma obra”, afirmou. Regina destacou que toda a região banhada pelo Rio dos Sinos é afetada pela ausência das obras de proteção. “Tem dinheiro e tem projeto. Por que não começa a obra?”, questionou.

Chefe do Departamento de Hidrologia do Serviço Geológico do Brasil, Andrea de Oliveira Germano afirmou que, desde 2024, o órgão ampliou o monitoramento e as previsões para a Bacia do Guaíba, incluindo o Rio dos Sinos. Segundo ela, no entanto, é necessário atualizar os projetos previstos para a região. “Na engenharia, a gente sabe que a pior cheia sempre vai acontecer. A gente vai ter que fazer as manutenções necessárias”, afirmou. Andrea também ressaltou a necessidade de novos estudos para projetar os impactos de futuras cheias. “Os projetos demoram nesse tipo de obra. A gente vai ter que fazer os estudos para a projeção da próxima cheia”, completou.

 

Texto: Felipe Samuel 

Fotos: Kelly Demo Christ

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