segunda-feira, 13 julho

Os casos de feminicídio voltaram a crescer no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2026. Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-RS) apontam que, entre janeiro e junho deste ano, 41 mulheres foram vítimas desse tipo de crime, contra 36 no mesmo período de 2025, um aumento de 14%. Trata-se do maior número registrado para os seis primeiros meses do ano desde 2023, quando o estado contabilizou 45 feminicídios no mesmo período.

Um levantamento da Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, coordenada pelo deputado Adão Pretto Filho, também chama atenção para os dados sistematizados pela ONG Lupa Feminista, que contabiliza 50 feminicídios entre janeiro e junho de 2026. A diferença entre os levantamentos ocorre em razão das metodologias utilizadas para contabilização dos casos, mas ambos apontam para o agravamento da violência de gênero no estado.

Para Adão, os números demonstram que as políticas públicas implementadas pelo governo do Estado não têm conseguido conter o avanço dos feminicídios. O parlamentar critica o fato de os indicadores seguirem em alta mesmo após a recriação da Secretaria da Mulher: “Mesmo com a recriação da Secretaria da Mulher, os feminicídios aumentaram. Isso demonstra que apenas recriar uma estrutura administrativa não é suficiente. É preciso garantir orçamento, fortalecer a rede de atendimento, ampliar as ações de prevenção e investir em políticas públicas permanentes para proteger a vida das mulheres”.

O deputado também afirma que falta prioridade do governo Eduardo Leite no enfrentamento à violência de gênero: “Não dá para perceber um esforço efetivo do governo do Estado no combate à violência contra as mulheres. Os dados mostram que seguimos perdendo vidas e que as medidas adotadas até agora não têm produzido os resultados que a sociedade espera.”

Adão lembra que, diante do aumento dos casos de violência contra as mulheres, a Assembleia Legislativa realizou um esforço concentrado para aprovar projetos voltados ao fortalecimento da proteção às vítimas. Entre eles está a aprovação do Projeto de Lei 554/2023, de sua autoria, que inclui o ensino da Lei Maria da Penha no currículo das escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul como instrumento de prevenção e conscientização.

Para o parlamentar, no entanto, a aprovação de leis precisa ser acompanhada da implementação efetiva das políticas públicas: “O Parlamento gaúcho fez sua parte ao aprovar uma série de iniciativas para enfrentar a violência de gênero. Mas leis, sozinhas, não mudam a realidade. É preciso boa vontade política, investimentos e fortalecimento da rede de proteção para que essas medidas saiam do papel. Sem isso, infelizmente, continuaremos vendo os feminicídios crescerem.”

Segundo Adão, que também preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da ALRS, os números reforçam a necessidade de ampliar os investimentos em prevenção, acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência, fortalecendo serviços especializados e garantindo que as políticas públicas cheguem de forma efetiva a todas as regiões do Rio Grande do Sul.

Texto: Guilherme Zanini
Foto: Kelly Demo Christ

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