terça-feira, 26 maio

A defesa de uma escola pública de qualidade, democrática e capaz de acolher as e os estudantes em sua integralidade marcou o Grande Expediente realizado nesta terça-feira (26/05), na Assembleia Legislativa, por proposição da deputada Sofia Cavedon, em homenagem aos 60 anos da Associação dos Orientadores Educacionais do Rio Grande do Sul (Aoergs).

Durante a sessão, Sofia destacou que homenagear a Aoergs é reconhecer “uma presença que atravessa seis décadas sustentando uma pergunta fundamental para a educação: que lugar damos ao sujeito, à sujeita, quando falamos de escola?”. Sofia ressaltou a trajetória da entidade, fundada em 9 de março de 1966, em Porto Alegre, por orientadoras e orientadores educacionais comprometidos com a defesa da escuta, da formação humana e da escola pública.

“Uma instituição como a Aoergs não se mede apenas pelo calendário. Sessenta anos, aqui, são marcas inscritas na história da educação gaúcha. São encontros, seminários, congressos, formações continuadas, publicações, deslocamentos pelo interior do Estado, debates, enfrentamentos, palavras sustentadas em tempos difíceis e gestos coletivos que impediram que a Orientação Educacional fosse silenciada ou reduzida a uma função menor no espaço escolar”, afirmou.

A deputada também enfatizou o papel indispensável da Orientação Educacional no cotidiano das escolas. “Ela não está na escola como ornamento. Não está como função acessória. Não está como detalhe burocrático. A Orientação Educacional está onde a instituição precisa se lembrar de que nenhum, nenhuma estudante pode ser reduzido ou reduzida a uma matrícula, a uma nota, a um laudo, a uma ocorrência ou a uma estatística”, disse.

Segundo Sofia, é a Orientação Educacional que sustenta espaços de escuta, mediação de conflitos e acolhimento das diferenças dentro da escola. “Ela está onde a palavra precisa circular para que o sofrimento não se transforme em destino. Está onde o conflito precisa ser mediado antes que se converta em ruptura. Está onde a diferença precisa ser acolhida antes que seja marcada como problema”, destacou.

A parlamentar afirmou ainda que a Aoergs compreendeu, desde sua origem, que “orientar é mais do que encaminhar. É escutar. É sustentar o tempo da palavra. É reconhecer que educar exige uma ética do encontro”.

Participaram da homenagem representantes da entidade e de núcleos regionais da Orientação Educacional no Estado, entre elas Rosangela Maria Diel, Erlita Cardoso Franco, Adilina de Bem Costa, Maria Joaquina Loiola Neta, Anelise da Rocha Iracet, Hélen Rose Pinheiro Fróes e a presidenta do Cpers Rosane Zan.

Próximos passos da AOERGS

Ao celebrar seis décadas de atuação, a Aoergs também apresenta as ações planejadas para o próximo período. Entre as prioridades da entidade estão a ampliação das formações continuadas, seminários, cursos e grupos de estudo voltados às novas demandas éticas, sociais e subjetivas presentes nas escolas.

A associação também projeta a realização do 29° Seminário Estadual de Orientação Educacional e do 10° Congresso Brasileiro dos e das Profissionais de Educação, fortalecendo a dimensão científica, histórica e política da categoria.

Outro eixo destacado é a defesa da nomenclatura e das atribuições legais dos orientadores e orientadoras educacionais, diante de tentativas de descaracterização da profissão, além da intensificação da articulação com Ministério Público, Ministério do Trabalho, Conselhos de Educação e Secretarias de Educação para garantir a presença qualificada da Orientação Educacional nas redes de ensino.

Ao final do Grande Expediente, Sofia Cavedon reforçou que defender a Orientação Educacional é defender uma concepção de escola comprometida com o cuidado, a democracia e a permanência dos estudantes. “Escola de qualidade tem Orientação Educacional”, concluiu.

Texto: Clarissa Pont
Foto: Kelly Demo Christ

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