quarta-feira, 03 junho

Durante agenda em Brasília, o deputado estadual Adão Pretto Filho se reuniu com o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, para apresentar uma demanda: a inclusão das cozinhas solidárias e comunitárias no programa Gás do Povo. A proposta busca garantir o acesso regular ao gás de cozinha para espaços que atuam diretamente no enfrentamento à fome e à insegurança alimentar, especialmente nas periferias urbanas e comunidades vulneráveis.

Hoje, muitas dessas cozinhas sobrevivem com dificuldades, recorrendo a rifas, doações e “vaquinhas” para manter o funcionamento básico. Lançado no final de 2025, a iniciativa prevê recarga gratuita do botijão de 13 kg para mais de 15 milhões de famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico. Segundo Adão Pretto Filho, o reconhecimento e o apoio institucional às cozinhas são fundamentais para combater a insegurança alimentar.

“As cozinhas solidárias e comunitárias foram essenciais nos últimos anos. Seja na pandemia ou nas enchentes no Rio Grande do Sul, foram elas que garantiram alimento para milhares de famílias, inclusive ajudaram o Brasil a sair do Mapa da Fome”, afirmou. O deputado também destacou que a política pública pode se integrar a iniciativas já consolidadas, como o Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra produtos da agricultura familiar e os destina, em grande parte, às cozinhas.

“Temos exemplos que dão certo, como o PAA da Conab, que fortalece a agricultura familiar e garante comida de qualidade na mesa de quem mais precisa. As cozinhas solidárias são parte dessa engrenagem e precisam ser apoiadas de forma estruturante”, pontuou. Coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Fome com Alimentação Saudável na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Adão Pretto Filho reforçou que a iniciativa dialoga com a construção de políticas públicas permanentes de segurança alimentar.

“A luta contra a fome exige ação concreta. Não dá para depender apenas da boa vontade de voluntários que já fazem tanto. O Estado precisa estar presente, garantindo dignidade e condições mínimas para que essas cozinhas sigam cumprindo seu papel social”, completou. O ministro Wellington Dias disse que o governo federal pretende viabilizar a instalação de biodigestores em cozinhas solidárias. A partir desses dispositivos, ocorre a produção de biogás para cocção, por meio do uso dos resíduos orgânicos das cozinhas.

O Rio Grande do Sul é, atualmente, o Estado com o maior número de cozinhas solidárias cadastradas no MDS, com 202 unidades. Durante o mês de março de 2026, a Assembleia aprovou a criação do Dia das Cozinhas Solidárias no Rio Grande do Sul, a ser celebrado em 3 de maio. Foi a partir desta data, em 2024, que a enchente que atingiu Porto Alegre e Região Metropolitana ganhou proporções nunca antes vistas.

Texto: Guilherme Zanini
Foto: Roberta Aline/MDS

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