segunda-feira, 25 maio

 

 

O encaminhamento de um ofício ao presidente Lula, sugerindo o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei em regime de urgência para pôr fim à escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um, foi um dos principais resultados da audiência pública realizada nesta quarta-feira (25/03), na Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Pepe Vargas. O encontro reuniu representantes de trabalhadores, especialistas e entidades, que denunciaram os impactos do regime na saúde, na qualidade de vida e nos direitos trabalhistas.

Audiência na Assembleia pressiona por fim da escala 6×1 e expõe resistência empresarial à redução da jornada. Proponente da audiência, Pepe Vargas defendeu que o fim da escala 6×1 seja tratado como prioridade nacional e anunciou a articulação para que o tema chegue ao Congresso por iniciativa do Executivo. A proposta é encaminhar ofício ao presidente Lula e ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, solicitando o envio de um projeto de lei em regime de urgência. Segundo o deputado, a estratégia busca superar o bloqueio político imposto por setores empresariais. “Os avanços da classe trabalhadora sempre enfrentaram resistência. Nunca foram concedidos, foram conquistados com luta”, afirmou.

Ao longo da atividade, foram recorrentes os relatos de desgaste físico e mental, restrição à convivência familiar e aumento do adoecimento. Para os participantes, a manutenção da escala evidencia a defasagem das normas trabalhistas frente às transformações tecnológicas e produtivas das últimas décadas. Pepe resgatou episódios históricos para sustentar que a oposição a direitos trabalhistas segue um padrão recorrente, desde o fim da escravidão até a consolidação da legislação trabalhista. Ele também destacou o aumento da produtividade impulsionado por novas tecnologias, argumento que, segundo ele, desmonta a justificativa empresarial contrária à redução da jornada.

A deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) reforçou o impacto direto da sobrecarga de trabalho na saúde da população. De acordo com ela, mais de 546 mil casos de adoecimento relacionados ao trabalho foram registrados em 2025. “É um custo humano inaceitável. Não somos máquinas, e as mulheres são ainda mais penalizadas pela dupla e tripla jornada”, afirmou, ao citar dados sobre burnout e aumento de riscos cardiovasculares associados à escala 6×1.

Na mesma linha, o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS) destacou que mudanças só ocorrem com pressão social organizada. Ele lembrou mobilizações recentes que enfrentaram resistência patronal e resultaram em avanços. “Quando há mobilização, o Congresso responde. O fim da escala 6×1 pode ser a principal conquista da classe trabalhadora neste período”, afirmou, defendendo jornada de 40 horas semanais sem redução de salários.

Representantes sindicais também apontaram que a manutenção da escala atende a interesses econômicos de concentração de renda. O presidente da CUT-RS, Amarildo Censi criticou a lógica de precarização. “A resistência à redução da jornada está ligada à tentativa de manter baixos salários e ampliar lucros às custas da saúde do trabalhador”, disse.
Para o representante da CTB-RS, Rodrigo Callais, a escala 6×1 compromete direitos básicos e se sustenta apesar de um cenário de maior produtividade. Ele destacou que o tema ganhou força entre os jovens, ampliando a pressão social por mudanças.

Já o sindicalista Guiomar Vidor chamou atenção para o impacto no setor do comércio, onde a maioria dos trabalhadores segue submetida ao modelo. Segundo ele, o avanço tecnológico elevou significativamente a produtividade, sem que isso se refletisse em melhores condições de trabalho. Pesquisa citada durante a audiência aponta que 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada sem corte salarial.

Ao longo da audiência, também foi destacada a dificuldade de avanço de propostas no Congresso sem o protagonismo do Executivo, evidenciando o peso da correlação de forças políticas e econômicas sobre o tema. Para os participantes, o fim da escala 6×1 se coloca como um dos principais embates contemporâneos entre capital e trabalho no país.

 

 

Texto: Claiton Stumpf – MTb 9747 

Foto: Charles Scholl

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