A Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher realizou, nesta segunda-feira (23/03), uma reunião de trabalho na Assembleia Legislativa com representantes de instituições do sistema de Justiça, segurança pública e sociedade civil. Participaram do encontro integrantes da Defensoria Pública, Ministério Público, OAB, Brigada Militar, Federação Gaúcha de Futebol (FGF), entre outros órgãos parceiros da Frente coordenada pelo deputado Adão Pretto Filho.
Diante de um cenário de aumento nos casos de feminicídio, a reunião teve como objetivo avaliar as ações já desenvolvidas e projetar novas iniciativas para ampliar o alcance da Frente ao longo de 2025. Em sua fala, o parlamentar destacou que o último período foi marcado por uma forte presença em atividades de rua, com foco na conscientização e no diálogo direto com a população. Entre as ações citadas estão as mobilizações realizadas no litoral gaúcho durante o verão, as atividades da Semana Farroupilha e intervenções em jogos da dupla Gre-Nal pelo Campeonato Gaúcho.
Segundo Adão, esses espaços têm se mostrado estratégicos para dialogar com o público masculino e provocar reflexão sobre comportamentos, cultura e responsabilidade no enfrentamento à violência contra as mulheres. “O nosso esforço tem sido ocupar os espaços onde os homens estão, levando informação e promovendo consciência. Não basta falar entre nós, é preciso ir para a rua, dialogar e construir uma mudança cultural profunda”, afirmou o deputado.
Um dos principais encaminhamentos da reunião foi a construção de um grande seminário de capacitação voltado a professores da rede estadual de ensino. A proposta é preparar educadores para trabalhar, em sala de aula, os conteúdos da Lei Maria da Penha, contribuindo para a formação de uma cultura de respeito e prevenção desde a base. A iniciativa partiu de uma proposta da promotora de Justiça Ivana Battaglin, representante do Ministério Público, que destacou a importância de instruir professores sobre os conteúdos de combate à violência de gênero nas escolas.
A ideia é que o seminário reúna especialistas, educadores e agentes públicos, criando ferramentas práticas para aplicação do tema no cotidiano escolar. Durante o encontro, também foi reforçada a necessidade de ampliar o olhar sobre as causas da violência. A defensora pública Paula Granetto chamou atenção para o papel da saúde mental e das frustrações acumuladas por homens que, muitas vezes, acabam sendo canalizadas de forma violenta. Como encaminhamento da reunião ficou a elaboração de um documento a partir das contribuições e sugestões dos participantes.
Na avaliação de Adão Pretto Filho, a integração entre entidades que atuam na linha de frente combate à violência contra a mulher é fundamental. “Se quisermos estabelecer políticas públicas que cheguem de fato até a população e sejam robustas, precisamos dialogar e atuar de forma colaborativa, tratando sobretudo da prevenção a essa mazela, que é a violência contra as mulheres”, enfatizou o deputado. Até o momento, o Rio Grande do Sul já registra 23 feminicídios neste ano. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, o estado teve um aumento de 53% nessa modalidade de crime, em comparação com o mesmo período de 2025.
Texto e foto: Guilherme Zanini

