quarta-feira, 03 junho

 

 

A decisão do governador Eduardo Leite de suspender o leilão do Bloco 2 das concessões rodoviárias representa uma vitória da sociedade gaúcha e do trabalho rigoroso realizado pela CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa.

Para o relator da CPI, deputado Miguel Rossetto (PT), o recuo do governo confirma as graves irregularidades apontadas tanto pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul quanto pelas investigações conduzidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

“O governador foi obrigado a recuar do seu projeto diante das inconsistências técnicas e das irregularidades evidenciadas. O Bloco 2 apresentava tarifas abusivas, poucas obras e ausência de controle social. É um modelo que não se sustenta”, afirma Rossetto.

Segundo o relator, o projeto previa tarifas entre as mais caras do Brasil, mesmo com a previsão de R$ 1,5 bilhão em recursos públicos. A redução anunciada pelo governo, de R$ 0,19 para R$ 0,18 por quilômetro rodado, foi considerada insuficiente. “Essa diminuição é irrisória e mantém o modelo com tarifas elevadas. A sociedade continua pagando muito e as obras não acontecem”, destacou.

A CPI também cobra a paralisação do Bloco 1 e a revisão imediata dos problemas identificados no Bloco 3, onde, segundo o deputado, o modelo já demonstrou fracasso: tarifas altas, obras insuficientes e aplicação de multas elevadas.

Rossetto defende que o governador compareça à CPI para prestar esclarecimentos à sociedade gaúcha sobre o projeto e as inconsistências apontadas. “É preciso transparência. Estamos falando de muito dinheiro público e de contratos que impactam diretamente a vida de milhões de gaúchos.”

 “A suspensão do leilão é uma conquista importante. Agora é hora de revisar profundamente esse modelo e construir uma solução que garanta investimento, qualidade nas estradas e respeito ao bolso da população”, conclui o deputado.

 

Texto: Juliana Rache Tomaz

Foto: Kelly Demo Christ

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