O relator da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado estadual Miguel Rossetto (PT), reuniu-se nesta sexta-feira (6/02) com o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, em Novo Hamburgo. Durante o encontro, Rossetto convidou o reitor para apresentar, na Comissão Parlamentar de Inquérito, dados sobre o impacto do novo modelo de pedágios – especialmente o sistema free flow – para estudantes e para o desenvolvimento regional. O ex-vereador Fufa acompanhou a reunião.
Na reunião, o reitor entregou ao deputado um estudo elaborado pela Feevale que analisa os efeitos da implantação do free flow prevista pelo governo Eduardo Leite no Bloco 1 de concessões rodoviárias, que abrange municípios do Vale do Sinos, Paranhana e Hortênsias.
De acordo com o levantamento, dos cerca de 10 mil estudantes da universidade, 1.244 residem em municípios diretamente impactados pelos novos pontos de cobrança – que vão aumentar de dois para oito no trajeto dos alunos. Para Rossetto, os dados demonstram que o modelo proposto pelo governo pode comprometer o acesso ao ensino superior e gerar prejuízos sociais e econômicos para a região.
“O estudo realizado pela Feevale é extremamente preocupante e mostra que o aumento das tarifas de pedágio pode afetar diretamente o acesso à educação, a permanência dos estudantes nas universidades e o próprio desenvolvimento econômico do Estado”, afirmou o deputado.
Segundo o levantamento apresentado, estudantes que hoje pagam R$ 6,50 em pedágios enfrentarão aumentos expressivos com o novo modelo. Um aluno que se desloca de Sapiranga para estudar em Novo Hamburgo, por exemplo, poderá passar a pagar R$ 18,64, um aumento de 186%. Para estudantes vindos de Taquara, o valor pode chegar a R$ 29,68, representando alta de 356%. Já para quem se desloca de Três Coroas, a tarifa poderá atingir R$ 33,36, um aumento de 410%.
Rossetto também informou que a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) está analisando uma proposta alternativa para melhorar a segurança e a qualidade da infraestrutura rodoviária da região. O estudo prevê que a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) assuma a administração das estradas, com pedágios com valores mais baixos, além de investimentos de R$ 1,5 bilhão provenientes do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), recursos públicos provenientes da suspensão da dívida do Estado com a União.
“O papel da CPI dos Pedágios é fiscalizar os contratos, cobrar responsabilidade do governo e defender a modicidade tarifária, o uso adequado dos recursos públicos e o direito dos usuários das rodovias”, concluiu Rossetto.

