quarta-feira, 03 junho

A noite da sexta-feira (7/11) foi marcada por emoção, reconhecimento e celebração em Canguçu, durante a 6ª edição da Homenagem a Personalidades Negras, realizada no Cine Teatro. O evento, promovido pela Frente Parlamentar dos Povos e Comunidades Tradicionais da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Zé Nunes, destacou homens e mulheres que têm contribuído de forma significativa para a valorização da cultura negra e a promoção da igualdade racial no Rio Grande do Sul.

O deputado Zé Nunes ressaltou que a cerimônia, que já homenageou mais de 200 pessoas desde a sua criação, tem um significado que vai além da entrega dos certificados. “Esta é uma iniciativa que reconhece trajetórias de luta e resistência em áreas como a cultura, a educação, a política, a religião e o esporte. Ao descentralizarmos a homenagem e realizá-la nos territórios onde essas histórias são construídas, reafirmamos nosso compromisso com a valorização das comunidades tradicionais e com o enfrentamento do racismo estrutural”, afirmou.

A mesa de autoridades contou com a presença do deputado federal Alexandre Lindenmeyer, do prefeito Arion Braga, da vereadora Maica Tainara, primeira mulher negra quilombola vereadora de Canguçu e do Rio Grande do Sul, além de lideranças comunitárias e representantes locais. A mestre de cerimônias foi Annelise Flores, da Associação Comunitária Escola Família Agrícola da Região Sul (AEFASUL), e a cooperativa de reciclagem COOPERSOL foi representada por Bianca Machado.

A programação cultural foi um dos pontos altos da noite. O público acompanhou as apresentações do cantor Hittajair Rosa, figura emblemática do samba e da cultura popular de Canguçu; do grupo Afrorritmo, formado por jovens da COOPERSOL; do cantor e compositor Thiago Fonseca, indicado ao Prêmio Vitor Mateus Teixeira da Assembleia Legislativa, na categoria Música Autoral; e do grupo de dança Pérola Negra, da comunidade quilombola Passo do Lourenço.

Os homenageados desta edição representam a força, a identidade e a resistência das comunidades negras e quilombolas do Sul do Estado. Cada um deles carrega uma trajetória marcada pela luta, pela valorização da cultura afro-brasileira e pela construção coletiva de um futuro com mais igualdade e reconhecimento.

Ao encerrar a cerimônia, Zé Nunes ressaltou que a homenagem vai além do simbolismo. “Este é um gesto de reconhecimento e de reparação histórica. É uma forma de afirmar que o povo negro, com sua cultura e sua luta, é parte essencial da construção do nosso Estado e da nossa identidade”, concluiu.

Homenageados:

– Angenor dos Reis de Almeida, filho de agricultores familiares e integrante da comunidade quilombola Vó Ernestina, de Morro Redondo. Servidor municipal e estudante de Direito na Universidade Federal de Pelotas, é um jovem comprometido com a defesa das comunidades tradicionais e o fortalecimento da participação negra nos espaços públicos.

– Carmen Lúcia dos Santos, presidenta da Associação Remanescente do Quilombo Maçambique, em Canguçu, onde atua desde a fundação. Sua trajetória é marcada pela liderança comunitária e pela luta pela valorização e preservação da identidade quilombola no município.

– Eva Lopes Teixeira de Ávila, nascida em Pelotas, é quilombola, agricultora e escritora. Atua na Federação Quilombola do Rio Grande do Sul, na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e no Conselho Estadual de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CEDENE). É uma defensora incansável da identidade, da cultura e da resistência do povo negro.

– Eva Maria Dutra Pinheiro, mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Pelotas, é professora, assistente social e liderança comunitária. Atuou na educação, na organização das comunidades quilombolas de Piratini e na luta pela efetivação das políticas públicas voltadas à população negra.

– Gildomar Batalha Mota, conhecido como Gil Mota, é filho de agricultores familiares do Passo dos Oliveiras, em Canguçu. Liderança negra e quilombola da comunidade Cerro da Boneca, é servidor público e defensor dos agricultores familiares e dos servidores municipais, com reconhecida atuação em prol da inclusão e do desenvolvimento local.

– José Romeu Soares, conhecido como Zé Romeu, é quilombola e agricultor familiar da comunidade Estância da Figueira, em Canguçu. Presidente da associação local, dedica-se à defesa da agricultura familiar, da cultura quilombola e do legado de seus ancestrais, mantendo viva a memória e a tradição do território.

– Maica Tainara Soares Ferreira, primeira mulher negra quilombola vereadora de Canguçu e do Rio Grande do Sul. Graduada em Gestão Ambiental e Serviços Previdenciários, é promotora legal popular e procuradora da mulher. Sua trajetória inspira pela luta constante em defesa da igualdade racial e dos direitos das comunidades quilombolas.

– Maria Emília Soares Porto, quilombola, cozinheira e agricultora familiar, é coordenadora da comunidade Rincão da Faxina e integrante do grupo de economia solidária Padaria Bem da Terra. Estudante de Turismo na Universidade Federal de Pelotas, dedica sua vida à luta do povo negro e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas à inclusão e à valorização cultural.

– Maria Helena Costa Duarte, quilombola da comunidade Vó Ernestina, em Morro Redondo, é artesã e transforma palha de milho, taboa, bananeira e bambu em arte e cultura, preservando técnicas tradicionais e transmitindo saberes ancestrais às novas gerações.

– Sílvio Gonçalves Barboza, nascido em Pelotas, é servidor público aposentado e liderança histórica de Morro Redondo. Sócio-fundador e presidente da Associação Quilombola Vó Ernestina, foi um dos responsáveis pela legalização da comunidade e pela conquista de importantes projetos que garantiram melhores condições de vida e reconhecimento ao território.

– Vanessa Rodrigues Freitas, nascida em Pelotas, é agricultora familiar e quilombola da comunidade Bisa Sabina Mendes, em Canguçu, onde é sócia-fundadora e fiscal. Liderança dedicada à luta pelo direito e reconhecimento do povo afro-brasileiro, atua com firmeza na defesa da igualdade racial e do empoderamento das mulheres quilombolas.

– Arnaldo Dias, conhecido como Dirico, é membro fundador da Associação Remanescente do Quilombo Passo do Lourenço e Arredores, onde atua desde 2008. É uma liderança respeitada na defesa da identidade, da memória e dos direitos da comunidade quilombola.

– Hittajair Rosa, músico e liderança cultural negra de Canguçu, é fundador do Bloco Nega Bandida e da Banda Sapatinho. Presidente do Clube Recreativo América, fortalece a identidade negra por meio da música e do samba, sendo uma referência na preservação da cultura popular do município.

Texto: Jean Lazarotto
Foto: Jorge Schneider

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