
Uma reportagem intitulada “Os filhos doentes da agricultura brasileira”, das jornalistas Sílvia Lisboa e Carla Ruas, repercutiu, na última semana, em todo o país por trazer dados estarrecedores quanto à saúde de crianças expostas a agrotóxicos. A investigação também contou com o apoio de Tatiane Moraes, pesquisadora em saúde ambiental na Universidade de São Paulo, e constatou a relação entre anomalias em crianças e proximidade com áreas agrícolas. Outra constatação foi a incidência de mortes fetais, que acontecem em gestações a partir da 28ª semana.
A investigação identificou um risco elevado para essas condições nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na região Sul, assim como em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste. Esses estados estão entre os que mais comercializam agrotóxicos no país.
O deputado Adão Pretto Filho (PT) acompanha a situação do uso abusivo dos agrotóxicos nas lavouras gaúchas. Segundo ele, levantamentos como os que foram apresentados pela reportagem, assim como o embasamento científico, são muito importantes para uma maior conscientização sobre os riscos do uso abusivo de agroquímicos nas plantações. “À medida que o tempo passa, mais evidências são apresentadas dos malefícios de agrotóxicos para a saúde dos agricultores. Se medidas drásticas não forem tomadas, teremos um futuro extremamente preocupante quanto às doenças contraídas pelos trabalhadores rurais e pior ainda, para essas crianças que vivem no campo”.
Adão é autor da lei que propõe a Política Estadual de Fomento à Agropecuária Regenerativa, Biológica e Sustentável do Rio Grande do Sul. A proposta, sancionada no fim de agosto, tem como objetivo estimular a transição agroecológica e o uso de bioinsumos como substitutivos aos agrotóxicos. “Infelizmente, muitos agricultores são reféns das multinacionais do ramo de agrotóxicos. Agora temos uma política estadual que permite segurança jurídica e estímulo para que as famílias do campo possam migrar para uma agricultura mais limpa e menos danosa para a saúde”, explica o parlamentar que também é autor do projeto que pretende proibir a aviação agrícola no Rio Grande do Sul.
O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Cerca de 22% dos agrotóxicos produzidos no planeta são utilizados nas plantações do país. No Rio Grande do Sul, entretanto, há um agravante. Em 2021, o governador Eduardo Leite aprovou na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul o Projeto de Lei nº 260/2020, que alterou a Lei nº 7.747/1982, permitindo o uso de agrotóxicos no estado que são proibidos em seus países de origem.
Texto: Guilherme Zanini

