terça-feira, 05 maio

“Um dos princípios da revolução cubana foi o internacionalismo e a solidariedade”

Crédito Joaquim Moura

A Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul realiza no próximo sábado (08), a XI Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba. A atividade contará com a presença da cubana Yarisleides Medina, do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos Havana-Cuba, de Fabio Simeon da Embaixada de Cuba em Brasília e do Cônsul Geral de Cuba em São Paulo, o Embaixador Pedro Monzón . Yarisleides chegou ao RS nesta terça-feira (04) e conversou a equipe do PT Sul sobre o evento, Cuba e o bloqueio americano reaquecido nesta quarta-feira (05).

PT Sul: Qual o objetivo do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos Havana-Cuba?

Yarisleides Medina: Este é um Instituto dentro de Cuba que se relaciona com os movimentos de solidariedade ao nosso país no mundo. Hoje contamos com mais de duas mil organizações solidárias a Cuba em mais de 152 países. Para nós é muito importante, porque este movimento de solidariedade faz conhecer a verdadeira realidade do que acontece lá. E é através desde instituto que levamos a realidade que vivemos em nosso país para fora dele.

PT Sul: Qual é a realidade de Cuba atualmente?

Yarisleides: Cuba é um país que tem feito uma revolução socialista desde 1959 e que tem no centro da sua realidade o homem e a mulher. Lá se respeita os direitos humanos, todos tem acesso à educação, saúde e segurança social gratuitamente. Hoje, a mulher lá tem uma representação muito importante. Somos 54% de mulheres no nosso parlamento. É uma revolução que tem muitas coisas boas e muitas para melhorar. 

PT Sul: Nesta quarta-feira (5) entrou em vigor mais um bloqueio americano a Cuba. De que forma vocês trabalham esta e outras questões como esta?

Yarisleides: Os EUA tenta evitar que país da liberdade, segundo eles próprios, a ter a liberdade de visitar Cuba. É uma guerra que o governo dos EUA tem feito contra nós, contra o nosso povo, mas nossa realidade é também resistir a isso. Estamos há 60 anos resistindo. Importante ressaltar que dentro dos EUA existe um movimento de solidariedade a Cuba muito importante. Mas o bloqueio tem um caráter extra-territorial e a ideia por trás disso é de que pressionar o povo cubano, com fome, para ir contra a nossa revolução. Até hoje não conseguiram. Porém, isso sim tem um impacto no desenvolvimento econômico do país. Cuba é um país muito pequeno, uma ilha apenas e fica muito perto dos EUA. Então para o mercado capitalista, Cuba não representa muito, além de termos relações políticas muito diferentes. Mas teremos muitas limitações no ponto de vista econômico pois o turismo é uma das nossas principais fontes de ingresso no país hoje. Nos últimos anos o turismo norte americano teve uma importância muito grande para nós e ainda tem. Vai ter um impacto na economia e nós estamos num processo de atualização da nossa economia para poder adiantar tudo isso.

PT Sul: Cuba é conhecida como a maior exportadora de médicos para o mundo. Como foi para vocês ter rompido com o contrato com o Brasil?

Yarisleides: Um dos princípios da revolução cubana sempre foi o internacionalismo e a solidariedade, que mesmo com as dificuldades que temos no país mantemos. Para nós, saúde é prioridade. O tema do Mais Médicos foi negociado com a Organização Pan-americana da Saúde (OPS). No Brasil, como em outros países que estamos presentes, nosso interesse é somente ajudar. Então foi uma decisão dura, mas nós não podemos deixar que isso afete nossos profissionais. Nossos médicos fazem um trabalho comunitário e voluntário. Para nós a medicina é um dos princípios dos direitos humanos básicos e temos uma medicina gratuita e de qualidade. Trabalhamos com medicina preventiva, por isso temos o sistema de medicina da família, que é o médico que mora no bairro e conhece você desde que nasce e sabe as doenças que você pode ter e como atender e ele mora lá. Atualmente temos muitos médicos se preparando para outras missões de solidariedade. Estamos em mais de 67 países, inclusive na Europa,  temos uma presença muito importante. Para nós é um dever ajudar com a medicina em outros países. 

PT Sul: Como será a Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba?

Yarisleides: Temos as associações de solidariedade a Cuba que é quem organiza estes eventos. No Brasil existem 27 organizações.  Cada estado faz a sua convenção estadual prévia, posteriormente ocorre a nacional que será em Santos, São Paulo, do dia 20 ao 22 de junho.  Também  são organizadas as Brigadas de Solidariedade a Cuba.  Temos um acampamento de 15 dias em Cuba. Nós recebemos quem deseja conhecer a realidade cubana por dentro e não como um simples turista. A pessoa faz trabalho voluntário, faz um trabalho produtivo, agrícola, recebem também palestras sobre a atualidade cubana na América Latina. Também podem compartilhar com diferentes organizações sociais, políticas, da juventude. Além disso, como instituto, temos uma agência de viagens com o qual as pessoas podem fazer diferentes programas por área, por exemplo, professores, estudantes, advogados e nós preparamos programas que possam permitir conhecer a verdade das organizações que nós temos em Cuba. 

A XI Convenção Gaúcha de Solidariedade a Cuba acontece neste sábado, a partir das 9h, no Memorial Luiz Carlos Prestes (Av. Edvaldo Pereira Paiva, 1527).

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