sábado, 07 março
As investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios, que apura possíveis irregularidades nas propostas de concessões rodoviárias, apontaram problemas no sistema de pedágio eletrônico, conhecido como free flow. Por conta dessas irregularidades e outros apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), como inconsistências no modelo adotado e problemas no equilíbrio econômico-financeiro da concessão, o governo Eduardo Leite decidiu recuar e adiar o leilão do Bloco 2 (Vale Taquari e Região Norte).

No âmbito federal, outra decisão também impacta diretamente o debate sobre o modelo de pedágio eletrônico. O governo do presidente Lula decidiu anular as multas aplicadas neste ano no sistema de pedágio free flow, desde que os usuários regularizem o pagamento da tarifa até o final de 2026. A medida reconhece que a implementação do modelo ainda apresenta problemas relevantes. A portaria definitiva deve ser publicada no início da próxima semana. A decisão reforça as críticas que vinham sendo feitas pela CPI em relação ao Bloco 3 das concessões no Rio Grande do Sul.

Para o líder da Bancada do PT/PCdoB e relator da CPI dos Pedágios, deputado Miguel Rossetto, as decisões recentes demonstram que havia problemas estruturais no modelo e que a investigação conduzida pela comissão tem sido fundamental para expor falhas e distorções na implementação do sistema de pedágio eletrônico no Estado. O deputado defende a suspensão dos leilões do Bloco 2 e do Bloco 1 e a revisão de todo o modelo do Bloco 3, tendo como base a redução da tarifa.

A experiência do Bloco 3 mostra que o modelo é muito ruim, muito ruim. As tarifas são caras, as obras nunca chegam e o que chegam são multas exorbitantes, tão absurdas, tão exorbitantes que o governo federal resolveu atuar, o Ministério Público atuar, inclusive a partir das manifestações permanentes da CPI em defesa do cidadão, do consumidor. Vamos continuar trabalhando com força, vigor, para buscar a melhor alternativa que garante investimentos, melhoria nas estradas, sem essa tarifa, esses custos abusivos dos leilões do Leite, que quer replicar ainda os problemas do Bloco 3 no chamado Bloco 2 e Bloco 1”, afirmou.

Parlamentares apontaram falhas na operação do sistema e questionaram o volume elevado de autuações registradas desde a implantação do modelo. De acordo com dados apresentados à comissão, mais de 1,1 milhão de multas foram aplicadas em dois anos no sistema free flow no Estado. Apesar desse volume, apenas 1.080 penalidades foram suspensas após recurso, o equivalente a cerca de 0,09% do total. Durante a CPI, representantes do governo Leite chegaram a afirmar que o número de autuações seria “normal” e que o sistema teria caráter “pedagógico”. No entanto, os números indicam que o RS concentra cerca de um terço de todas as multas relacionadas ao free flow no país. 

Texto: Felipe Samuel
Foto: Kelly Demo Christ

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