Em reunião da Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado (CSSP), o presidente do colegiado, deputado Leonel Radde, reforçou, nesta quinta-feira (5), o pedido ao governo do Estado para rever uma cláusula de barreira que impede centenas de aprovados no concurso da Policia Civil de realizarem o Teste de Aptidão Física (TAF). Ele destacou a necessidade de ampliar o chamamento dos aprovados.
“Já notificamos, através dessa comissão, o governo do Estado do Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite, para que ele tenha essa sensibilidade. É possível fazer essa alteração da ampliação do chamamento dos candidatos”. Conforme o parlamentar, por conta da cláusula de barreira, cerca de 40% dos aprovados podem ser eliminados. Por isso, ele alerta sobre a probabilidade de, ao final desse concurso, ter um número menor de aprovados do que de vagas abertas.
“A gente sabe que ao longo mesmo da carreira, nos primeiros anos, já tem uma exoneração altíssima. E a exoneração na Polícia Civil tem sido gigantesca”, afirmou, ressaltando que o concurso atual já reduziu em 50% o número de candidatos em relação ao anterior. O concurso da Polícia Civil 2025/2026 oferece 720 vagas para Inspetor e Escrivão, com edital publicado e provas realizadas em 18 de janeiro de 2026.
“A carreira não está mais atrativa por causa da falta de reposição inflacionária, por causa da falta das promoções. Nitidamente existe um sucateamento dos órgãos de segurança e isso fica evidente na questão dos concursos. Quando é atrativa, a carreira aumenta exponencialmente, tanto é que a anterior foi uma disputa de briga de foice”, comparou. Convidado a falar na comissão, Tauro Susin Bonorino, que fez concurso para ingressar na Polícia Civil, afirmou que a exigência do TAF, do jeito que é exigido atualmente, leva a um índice de reprovação que chega a 40%.
“Corre o risco de ter um número desses, ou até pior, porque eles aumentaram os índices, e de uma parte do certame que já é, por natureza, com um TAF difícil”, explicou. Bonorino destacou o desrespeito ao princípio da isonomia no concurso e defendeu critérios distintos para pessoas em diferentes faixas etárias. “Não tem como exigir de uma pessoa de 50 anos o mesmo desempenho físico de uma pessoa de 20”, afirmou.
Texto: Felipe Samuel
Foto: Charles Scholl
Foto: Charles Scholl

