quinta-feira, 05 março

Na sessão plenária desta terça-feira (03/03), a deputada Sofia Cavedon registrou em Tribuna um fato grave ocorrido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa.

Durante a reunião da CCJ, a deputada Luciana Genro (PSol) teve sua fala interrompida e sua inscrição retirada pelo presidente da comissão, Frederico Antunes (PP), líder do governo, mesmo estando no uso regular da palavra. Segundo Sofia, não se trata de divergência política ou de debate acalorado, mas de uma violação objetiva do direito à palavra de uma parlamentar no exercício do mandato, “o que caracteriza violência política de gênero”, afirmou.

O episódio ocorreu justamente no dia em que o Parlamento colocava em votação a prioridade de um pacote de projetos voltados ao combate ao feminicídio. Para a deputada, a contradição é evidente. “Não basta votar prioridade na semana do 8 de Março e anunciar compromisso com a vida das mulheres se, no mesmo ambiente institucional, se pratica o silenciamento de uma deputada”, afirmou.

Sofia destacou que a violência política de gênero é uma das expressões do machismo estrutural, que se manifesta quando a palavra das mulheres é relativizada, quando sua intervenção é tratada como excesso e quando sua presença é tolerada, mas sua atuação é constrangida.

A parlamentar também alertou para o efeito coletivo desse tipo de prática. “Se uma deputada, no exercício regular do mandato, em sessão aberta, gravada e diante das câmeras, pode ser silenciada dessa forma, é preciso perguntar: o que acontece com aquelas cujos nomes sequer conhecemos?”, questionou.

Para a Bancada do PT/PCdoB, o enfrentamento ao feminicídio exige coerência institucional. Não se combate a violência contra as mulheres apenas com prioridade regimental, mas garantindo respeito pleno às mulheres.

A Bancada reafirma sua solidariedade à deputada Luciana Genro e seu compromisso com o enfrentamento à violência política de gênero dentro e fora do Parlamento.

 

Texto: Lua Kliar
Foto: Charles Scholl

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